E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Após desistir de desistir, Tião assume cargo de Prefeito de Marabá. Veja vídeo

Tião Miranda - Ele teria desistido de renunciar por conta de "orações e apelos"
Afinal, um sorridente Tião Miranda (PTB), depois de idas e vindas, assumiu a Prefeitura de Marabá. A solenidade de posse aconteceu as 16 horas deste domingo (1º), na Câmara Municipal. Tião será o 38º prefeito da segunda cidade mais importante do Pará e terá à disposição um orçamento de aproximadamente R$ 840 milhões, para movimentar a gigantesca máquina municipal formada por 22 secretarias e três autarquias.

Durante todo o dia de hoje (2), Tião prepara a divulgação dos integrantes do primeiro escalão. A expectativa é que amanhã (3), seja feito o anúncio oficial do secretariado.

Tião sucederá João Salame Neto que, mesmo tendo sido afastado por duas vezes e governado sem apoio do governador Simão Jatene, justamente no momento de maior retração econômica do País, realizou cerca de 400 obras, incluindo o asfaltamento de quase 200 quilômetros de ruas. O prosseguimento do programa de construção de escolas e creches, das obras de asfaltamento e a ativação da nova UPA, devem ocupar o centro das preocupações de Tião Miranda.

Além disso, há o pagamento de salários e benefícios para o funcionalismo. Com 9.200 funcionários ativos - dos quais 7 mil são concursados - a Prefeitura gasta R$ 20 milhões por mês com o pagamento de salários. A Secretaria de Educação, maior unidade orçamentária do município, emprega 4.945 servidores e sua folha de pessoal custa R$ 11 milhões em média todos os meses aos cofres públicos. Além disso, tem um custo elevado com o pagamento de inativos e pensionistas de seu instituto de previdência - o Ipasemar.

Mesa da posse - Tião Miranda assume como 38º prefeito de Marabá 
Em seu discurso, Tião manteve-se equilibrado. Evitou falar na decretação de "estado de calamidade financeira", se disse "revigorado" e além do tradicional chamamento à unidade entre prefeito e Câmara, o prefeito lembrou de elogiar o vice Toni Cunha - que saiu muito desgastado por conta das seguidas renúncias do prefeito. Segundo ele, Toni Cunha pode não ter experiência mas é "um homem de trabalho, de fazer as coisas" e que "em momento algum" demonstrou "sede de poder" (veja o vídeo, divulgado através do WhatsApp por um espectador, ao final da postagem).

Tião também citou seus problemas de saúde para justificar a renúncia da qual desistiu. “Cheguei até mesmo a enviar uma carta de renúncia, mas não pode ser considerada renúncia porque não cheguei a tomar posse”, disse ao minimizar o ato em que oficializou sua desistência.

Grande interesse - Plenário da Câmara lotado para posse de Tião
Segundo um vereador muito ligado ao prefeito, a "renúncia à renúncia" teve a intervenção direta do Governador do Pará, Simão Jatene, que pressionou Tião para que assumisse o cargo. Sem Tião na prefeitura de Marabá, Simão teria a Rede Sustentabilidade dirigindo uma das mais importantes cidades do Pará, além do que não poderia contar com Gesmar Costa - suplente de Tião - na ALEPA. Gesmar deve ser a ponta-de-lança do governador em Parauapebas, cidade que passa a ser conduzida por Darci Lermen, muito ligado ao ministro da Integração Helder Barbalho (PMDB), candidatíssimo à sucessão de Jatene.

Para consumo externo, Tião afirmou que foram "as muitas orações" e "apelos" que o demoveram da renúncia. Verdade ou não, caso tivesse renunciado ao cargo, Tião teria comprometido de vez sua carreira política. Daria ainda mais munição para aqueles que o consideraram omisso em 2011 na luta pelo Estado do Carajás.

Mas, a atuação errática de Tião no episódio ainda ameaça ter desdobramentos. A oposição estuda questionar o ato da Câmara que deu posse ao prefeito. 

Tem quem afirme que a renúncia à posse seria ato unilateral e irretratável, que independeria de reconhecimento por parte da Câmara.

Por outro lado, ainda não foi esclarecido se afinal Tião Miranda renunciou previamente ao mandato de deputado estadual, quando isso foi feito e se esse ato seria o bastante para afastar a titularidade do mandato de deputado. A Lei Orgânica de Marabá pune com a perda de mandato o prefeito que assumir sendo titular de outro mandato eletivo.

Por tudo isso, a cena política em Marabá ainda promete fortes emoções neste início de 2017 e a população da cidade só pode torcer para que Tião Miranda, caso permaneça no cargo, faça uma gestão competente nesse momento de crise.

Além de dar posse ao prefeito, a sessão da Câmara elegeu a mesa diretora que ficou assim constituída:

Presidente - Pedrinho Corrêa;
Vice-Presidente - Irismar Sampaio;
2º Vice-Presidente - Paulo Sérgio Varela, o Badeco;
1ª Secretária - Cristina Mutran;
2º Secretário - Alécio Strigari;
3º Secretário - Edinaldo Machado.

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