E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Empresários e consumidores demonstram mais otimismo para 2017, diz Fecomércio

O Brasil atravessa uma crise econômica sem precedentes. O ano de 2016 deve se encerrar com queda de 3,2% no Produto Interno Bruto (PIB), inflação de 6,8%, retração de 6,0% nas vendas do varejo, perda de 3% do PIB Industrial, além de mais de 12 milhões de desempregados. Mas, análise da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), avalia que esse cenário econômico negativo pode ficar para trás.

A crise da economia brasileira impactou tanto o consumo quanto os investimentos empresariais ao longo de 2016. Para o próximo ano, as expectativas são melhores, segundo Guilherme Dietze, da assessoria econômica da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

“Os indicadores de confiança da FecomercioSP, seja do consumidor, seja do empresário do comércio, tiveram trajetórias similares. Principalmente no início do ano tivemos um pessimismo muito grande por conta da recessão econômica, mas foi melhorando pouco a pouco com a mudança do ambiente político”, diz Dietze.Segundo ele, tanto consumidores quanto empresários esperam um 2017 melhor do que 2016, mas, no curto prazo, as perspectivas ainda são baixas.

“Os indicadores de expectativa melhoraram muito mais do que os de condições atuais. Os empresários do comércio e os consumidores olharam para frente com certo positivismo. Ou seja, que as condições vão melhorar. Mas no dia a dia as condições são as mesmas: desemprego, inflação elevada e crédito muito caro, isso impacta negativamente as compras do consumidor.”

De maneira geral, a expectativa de melhora em 2017 ocorre em função de medidas que devem ser realizadas na economia.

“Para o próximo ano, com os ajustes da economia e com a volta dos investimentos, que vai gerar emprego e distribuição de renda, variáveis fundamentais para a volta do consumo, esperamos que 2017 seja melhor do que 2016”, afirma Dietze.

De acordo com a Entidade, a troca de governo trouxe alguns resultados práticos positivos já em 2016, como a redução da pressão inflacionária, que em parte se devia à desconfiança ainda restante. A mudança também realimentou a confiança de empresários e consumidores e, mais importante, impulsionou a tramitação e aprovação da PEC 241 (55), considerada a principal reforma do governo Temer.

Ao conseguir aprovar o teto de gastos, o Governo está operando uma sensível mudança de cenário e o Banco Central viu espaço para iniciar processo de redução de juros que não ocorria há quatro anos e a Taxa Selic que estava em 14,25% entre janeiro e outubro encerrará o ano em 13,75%.

O pessimismo predominou na passagem de 2015 para 2016 com o cenário de instabilidade socioeconômica em que se encontrava o País. A persistência de alta nos preços de determinados bens, crédito mais caro e escasso, falta de perspectiva para minimizar a crise política e, principalmente, o crescimento do desemprego aumentaram ainda mais a apreensão dos consumidores e empresários, atingindo diretamente a vida financeira das famílias e, consequentemente, o consumo e as vendas no comércio.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) iniciou o ano aos 89,0 pontos registrando elevações pontuais influenciadas pelo reajuste do salário mínimo, mas voltou a cair em março e abril. A situação só começou a melhorar com a perspectiva real de que um novo governo estava prestes a assumir a condução do País. O indicador avançou nos meses de maio até setembro, voltou para a área de otimismo no mês de agosto ao atingir os 100 pontos, registrou uma leve queda em outubro e voltou a subir em novembro alcançando os 110,3 pontos. Segundo a FecomercioSP, para o mês de dezembro estima-se um ICC em patamar de aproximadamente 109,0 pontos, considerando-se as condições socioeconômicas presentes neste momento. Assim, o ICC deve fechar 2016 com pontuação média de 98,3 pontos, 4,2% superior a observada em 2015.

A deterioração de variáveis como inflação, emprego e renda e a baixa confiança do consumidor tiveram impactos negativos sobre as vendas e, consequentemente, sobre o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), que entre dezembro de 2015 e maio de 2016 manteve-se ao redor dos 75 pontos. Assim como o ICC, as expectativas começaram a dar sinais de elevação a partir da segunda fase do impeachment, puxando a alta do indicador que saltou dos 75,9 pontos em maio para 96,1 pontos em novembro. Expectativas essas que superam também a velocidade da retomada da confiança na economia no curto prazo. Para o mês de dezembro, a Federação estima que o ICEC alcance os 97,7 pontos. Com isso, o indicador deve fechar 2016 cerca de 3% acima do verificado em 2015, em média.