E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Críticas ao governo do Estado marcam apresentação do Programa de Competitividade Industrial em Marabá

Começou na manhã desta terça-feira (6), em um dos salões do Itacaiúnas Hotel, em Marabá, a apresentação do Programa de Competitividade Industrial, que será implantado a partir da parceria firmada entre a Prefeitura de Marabá, a Associação Comercial e Industrial de Marabá - ACIM e a Companhia de Desenvolvimento Econômico – CODEC. Segundo os articuladores da inciativa, o objetivo é revitalizar e otimizar o uso do Distrito Industrial de Marabá, permitindo a atração de novas empresas. O evento será encerrado amanhã (7) com a apresentação do painel “Atração de Investimentos como Estratégia de Desenvolvimento Local”.

Técnicos da CODEC mostraram que, a partir do diagnóstico realizado com o apoio da prefeitura e da ACIM, está sendo proposto um conjunto de medidas que pretendem readequar o DIM. Diferentes benfeitorias e investimentos em infraestrutura deverão ser realizados na área, ao mesmo tempo em que haverá um esforço no sentido de retirar os invasores que ocupam partes do DIM e impedir novas ocupações.

De acordo com o levantamento realizado pela CODEC, existem 54 empresas cadastradas no DIM, sendo que 42% delas são do setor de serviços e 39% no setor industrial, em sua maioria siderúrgicas. A ideia da CODEC é que após a reestruturação, o DIM seja o endereço de um grande número de micro e pequenas indústrias que teriam como clientes as médias e grandes empresas instaladas no local.

A CODEC também propõe a retomada de lotes abandonados por empresas que encerraram suas atividades no DIM e não demonstraram interesse em dar destinação produtiva ao lote industrial que possuem.

Esta última medida não alcançou unanimidade entre os presentes. Alguns proprietários alegam que o Governo do Estado – ao qual é ligada a CODEC – jamais demonstrou interesse em apoiar os empresários e empreendimentos instalados no DIM - principalmente durante a crise de 2008-2009 quando as guseiras começaram a fechar suas portas - e que, agora, pretende “tomar a propriedade” dos atuais donos e oferecer a outros.
Críticas ao Governo - A equipe da CODEC levará para Belém pelo menos duas sérias críticas direcionadas pelos presentes ao Governo do Pará.

A primeira delas diz respeito à ausência de uma política de incentivos capazes de favorecer a retomada da produção de ferro-gusa em Marabá. Segundo Zeferino Abreu Neto, o Zé Fera, gestor da Maragusa, “o governo do Pará não ajuda o setor” a superar as dificuldades impostas pelas restrições ambientais referentes à utilização do carvão vegetal na operação dos fornos nas indústrias. Além disso, a tarifa da energia elétrica no Pará – uma das mais altas do país – e o custo elevado do COQ, carvão mineral apontado como combustível alternativo, impedem a retomada da produção de gusa em Marabá.

Clayton Labes, representante da Sinobras no evento, criticou a lentidão do Governo do Pará em liberar as diversas licenças ambientais, o que atrasa muito as iniciativas que visam ampliar as atividades da siderurgia no estado. A empresa está investindo na implantação de uma “coqueria” que lhe permitiria ter COQ suficiente para aumentar a produção, mas vem esbarrando nas restrições ambientais.

Ítalo Ipojucan, presidente da ACIM e um dos articuladores dessa nova política de desenvolvimento proposta, é bem mais otimista. Segundo ele, a implantação de grandes empresas – Cevital, Buffalos e Correias Mercúrio – e o avanço na discussão da criação da Zona de Processamento de Exportações, “são sinais claros que é possível construir um novo ciclo de desenvolvimento que seja economicamente viável para todos e ambientalmente sustentável em Marabá”.

Segundo Ítalo, a iniciativa da CODEC vem somar esforços no sentido de oferecer aos investidores um ambiente de negócios atraente, capaz de convencê-los a trazer novos empreendimentos para Marabá. “Não é fácil convencer investidores. Não basta mostrar gráficos e números. É preciso mostrar ações concretas que incentivem a produção e a readequação do Distrito Industrial de Marabá é um forte sinal de que estamos caminhando nesse sentido”, disse Ítalo.