E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

sábado, 26 de novembro de 2016

Morre Fidel Castro. Nada a lamentar. Nada a comemorar

Escrevi hoje em minha conta no Twitter que a morte não redime. Fidel Castro, um tirano especialmente cruel criado pela distopia esquerdopata e morto hoje (26) aos 90 anos, não será exceção a esta máxima.

Em vida, Fidel escravizou, torturou e assassinou milhares de pessoas. Para tornar ainda mais perversa sua conduta, fez isso contra seus conterrâneos, contra o "povo", esse esoterismo em nome do qual a esquerda mundial se acha no direito de violar todos os direitos e os direitos de todos.

O sangue que correu em suas mãos criminosas não teve o condão de torná-lo digno de respeito quando vivo - salvo para aqueles que almejavam ocupar posição similar em seus respectivos países ou que dependiam de seu despotismo para viver à sombra do arbítrio.

O sangue que correu em suas mãos terá o condão de torná-lo apenas um dos mais cruéis tiranos da História Universal. Não fará feio ao lado de bestas-feras como Stalin, Idi-Amin Dada, Papa Duvalier, Pol Pot e Saddan Hussein.

Sempre virá algum tolo a argumentar supostas "conquistas sociais" como escusas para a ditadura feroz implantada por Fidel. Para esses inocentes úteis (em sua maior parte, apenas "úteis", sem nada de inocentes), os fins justificam os meios. O que seriam milhares ou milhões de mortos diante da construção do "paraíso" que anima os sonhos molhados da esquerda?

Para os defensores dessa escatologia que alguns chamam de "materialismo histórico", vida, liberdade e democracia possuem valor, digamos, "instrumental". São valiosos na medida exata em que servem aos seus propósitos de poder absoluto e dispensáveis a partir do momento em que se tornem empecilhos para que o alcancem.

Só para oferecer um número, em 1959 quando Fidel assaltou Cuba, o PIB Per Capita da ilha era de US$ 2,067; no Panamá US$ 2,322 e em Porto Rico US$ 3,239. Exatos 40 anos depois, Cuba tinha PIB Per Capita de US$ 2.307. Já o Panamá o índice subiu para US$ 5,618 e em Porto Rico disparou para US$ 13,738.

Como é de praxe, enquanto o "povo" sofria com racionamentos e miséria, ao arbítrio juntou-se a corrupção. A "famiglia" Castro controla coisas como a Medicuba, responsável pela venda de vacinas e de serviços médicos mundo a fora. Tanto "empreendedorismo" comunista resulta em um patrimônio de muitos milhões de dólares extorquidos dos cubanos.

Com a morte de Fidel, a educação e o decoro obrigam que não haja festejos. Afinal, ainda que monstruoso, Fidel em algum lugar de sua alma obscura deveria ter certa humanidade. Por outro lado, sendo o homem público medido pelo produto final de suas ações, nada há a lamentar.

Para o bem da democracia, seria ótimo - apesar de muito improvável - que à morte de Fidel sucedesse a deposição de Raúl. Mas, a existência tem seu próprio compasso definido a partir das marchas e contra-marchas impostas pelos homens, únicos reais sujeitos da história, assim quem sabe no futuro poderemos festejar o fim do castrismo. Entendo que essa esperança deve animar os democratas ao redor do mundo muito mais que a morte de um ditador.

Duas notas de rodapé:

1 - Lula já manifestou-se afirmando ser Fidel "o maior líder da América-Latina". Foi econômico. Dentro de sua conhecida e exacerbada modéstia, deveria ter colocado o ditador cubano como "maior líder do mundo" e deixado o posto de "maior da América-Latina" para si mesmo. Anda estranho, esse Lula Pós-Lava Jato...

2 - Aparentemente, o funeral do tirano não contará com duas grandes "lideranças". Zé Dirceu e Lula dificilmente irão se ajoelhar em frente ao seu ídolo. Zé está preso mais uma vez (enquanto era julgado pelo Mensalão, o super-Zé já estava roubando no Petrolão!) e Lula enrolado até o pescoço em esquemas investigados pela Operação Lava Jato. Dilma bem que queria ir, mas os cubanos estão com receio que ela queira ficar por lá.