E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Gedel cai após denúncia de pressão sobre ex da Cultura.


Acusado de ter pressionado o ex-titular do Ministério da Cultura Marcelo Calero para liberar uma obra em Salvador, o ministro Chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, enviou na manhã desta sexta-feira (25), por e-mail, uma carta de demissão ao presidente Michel Temer. Geddel, que está na capital baiana desde quarta (23), conversou por telefone com o presidente depois de encaminhar a solicitação para se desligar do primeiro escalão.

Geddel é o sexto ministro a deixar o governo Temer em seis meses de gestão.

Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, Temer aceitou o pedido de Geddel, que era responsável pela articulação política do governo federal com o Congresso Nacional. Em meio ao turbilhão que atingiu até mesmo seu gabinete, o presidente tentará sair de foco nos próximos dias. Ele anunciou que vai viajar para sua residência em São Paulo na tarde desta sexta.

O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero disse à Polícia Federal em depoimento ter recebido pressão do presidente Michel Temer sobre obra de interesse de Geddel Vieira Lima, que gravou conversas que teve sobre o assunto com o próprio Temer e com Geddel, além do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo nesta sexta-feira (25).

Para que as gravações sejam periciadas e analisadas pela Polícia Federal é preciso que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorize a abertura de uma investigação, uma vez que as autoridades gravadas têm foro privilegiado, acrescentou o Estadão.

Segundo o depoimento de Calero à PF, o ex-ministro disse que se reuniu com Temer na quinta-feira da semana passada e que o presidente afirmou que a decisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de barrar um empreendimento imobiliário em Salvador, no qual Geddel havia comprado um apartamento, criara "dificuldades operacionais em seu governo".

O porta-voz da Presidência da República, Alexandre Parola, disse na noite de quinta-feira que Temer estranhou a acusação feita por Calero de que tentou enquadrá-lo no caso envolvendo Geddel, e afirmou que o presidente se surpreendeu com boatos de que o ex-ministro teria solicitado uma segunda audiência "somente com o intuito de gravar clandestinamente conversa" para posterior divulgação".

Conheça os personagens:
Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) foi ministro da Integração Nacional do governo Lula, entre 2007 e 2010, depois de ter sido crítico ferrenho do primeiro mandato do petista e defensor do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). No ministério, encampou a transposição do Rio São Francisco, que prometeu efetivar em seu mandato.

Atuou como vice-presidente de Pessoa Jurídica na Caixa entre 2011 e 2013, cargo do qual chegou a pedir exoneração pelo Twitter à presidente Dilma, pela possibilidade de concorrer nas eleições seguintes. Quem o convidou para o cargo de Ministro Chefe da Secretaria de Governo foi Temer. Foi derrotado por Otto Alencar (PSD) na eleição ao Senado.

Formado em administração de empresas pela Universidade de Brasília, é natural de Salvador, onde foi assessor da Casa Civil da Prefeitura entre 1988 e 1989. Foi diretor da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) em 1989 e presidente na Bahia da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) em 1990.


Em 1990, filiou-se ao PMDB, partido pelo qual foi eleito cinco vezes deputado federal. No Congresso, foi líder de bancada, presidente da Comissão de Finanças e Tributação e primeiro secretário da Mesa Diretora.

Presidente do PMDB na Bahia, foi um dos que se manifestaram pelo rompimento do partido com o governo Dilma, afirmando em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", em março deste ano, que o modelo da administração petista “se exauriu”.

Antes de se envolver neste escândalo, Marcelo Calero Faria Garcia era figura apagadíssima no governo Temer. Ligado ao PSDB do Rio de Janeiro, jamais fora o preferido pelo presidente (que havia escalado o deputado Roberto Freire - PPS/SP para a pasta) e viu crescer a desconfiança em torno da conhecida Lei Rouanet (capilé que financia com recursos públicos artistas e eventos culturais). 

Calero era bastante atuante mesmo nas "redes sociais". Sua conta no Instagram possui mais de 17 mil seguidores e segundo o jornal Folha de São Paulo (clique aqui), "mais de um terço das 510 imagens postadas pelo ministro em seu perfil no Instagram são selfies, alimentando a libido de seguidores homens e mulheres, que não se cansam de ver Calero no elevador, Calero na cama, Calero em casa, Calero com bebês no colo, Calero com sua avó Carmen, Calero com seus gatos".

Calero formou-se em direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e tem passagens pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Petrobras. A partir de 2007 começou a atuar como diplomata e chegou a trabalhar na embaixada brasileira do México. Concorreu a deputado federal pelo PSDB em 2010. Foi secretário de cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro e presidente do Comitê "Rio 450", órgão criado pela prefeitura para organizar a celebração do 450º aniversário da cidade. Deixou a secretaria municipal para assumir a Secretaria de Cultura do Ministério da Educação, que foi separada do MEC e voltou a ser Ministério (MinC).