E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Novo diretor de Infraestrutura Aquaviária do DNIT reconhece abandono do modal hidroviário e promete corrigir rumos

Assim que o recesso do Senado acabar, o plenário vai examinar a indicação de Erick Moura de Medeiros (à esquerda, na foto), para o cargo de diretor de Infraestrutura Aquaviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A nomeação de Erick Moura foi aprovada pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado, no dia 16 de dezembro de 2015.

Durante a sabatina da CI, Erick Moura de Medeiros observou que o Brasil dispõe de 28 mil quilômetros de rios navegáveis, aos quais podem ser acrescentados outros 15 mil km se forem realizadas algumas obras. O transporte hidroviário, apontou, é mais barato e emite uma quantidade menor de CO2.

Erick esteve por mais de vinte anos na Marinha do Brasil, onde reformou-se como Capitão de Corveta, é bacharel em Ciências Navais pela Marinha e pós-graduado em Estado Maior, Planejamento e Assessoramento. Hoje é corregedor do Ministério dos Transportes. Junta, portanto, o conhecimento técnico com o conhecimento do funcionamento da máquina burocrática.

Mas, apesar do currículo vistoso, o que chamou a atenção durante a sabatina na Comissão de Infraestrutura do Senado foi a franqueza de Erick.

Indagado sobre o porquê de tão pouco investimento no transporte hidroviário, Erick respondeu que essa modalidade de transporte jamais foi valorizada. "Os governos, vou dizer isso, historicamente não deram valor a estas questões. Não estou falando de governo A, B ou C. Ao longo do tempo nós deixamos de pensar como governo em relação a isso", disse.

Ao longo do debate, Erick demonstrou que o transporte hidroviário é mais barato, causa menos avarias nas cargas e polui pouco. Mas, investir neste modal não foi uma política importante de governo ao longo dos últimos anos. "De fato isso (a construção da infraestrutura hidroviária) não custa caro. Mas, deixou de ser uma política importante para o país. A minha percepção é essa. De fato é mais barato e agora estamos tendo oportunidade de mudar esse foco e colocar para a sociedade que é possível transportar cargas e passageiros com mais segurança, de forma mais econômica e degradando menos o meio ambiente", concluiu Erick.

Enquanto isso, uma hidrovia como a Araguaia-Tocantins, estratégica e necessária, não sai do papel e Marabá, uma das poucas cidades brasileiras a ter disponíveis os quatro modais (hidroviário, aéreo, rodoviário e ferroviário), sofre graves prejuízos. A falta de vontade política para resolver esse problema emperra o desenvolvimento de Marabá, de toda região do Carajás e, sem exagero, colabora para o atraso nacional no setor de logística.

Tomara que a chegada de Erick Medeiros realmente sinalize a mudança de rumos na política de investimentos do governo no setor de transporte e logística. 

Em tempo, hoje o transporte hidroviário representa apenas 5% do setor, contra 30% do ferroviário e 52% do modal rodoviário. É um percentual ridículo quando comparado com o potencial nacional e com as vantagens que o modal hidroviário detém sobre os demais.