E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Obras são retomadas em Belo Monte, mas índios mantém ocupação

As atividades em um dos canteiros da hidrelétrica Belo Monte estão sendo retomadas nesta sexta-feira (31), depois de ficarem paralisadas por toda a semana diante da ocupação de indígenas que pedem para serem ouvidos previamente sobre a construção da usina e de outras grandes hidrelétricas.
Alguns indígenas ainda ocupam o escritório central da obra da hidrelétrica, onde permanecerão até terça-feira, quando lideranças dos índios têm reunião com o governo federal, em Brasília.
O Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), responsável pelas obras da usina, informou que os trabalhadores foram convocados para retomar as atividades no canteiro paralisado onde atuam cerca de 3.500 pessoas. A empresa, porém, disse que ainda não foi possível avaliar se houve danos às obras da usina.
Atualmente, mais de 20 mil trabalhadores atuam na construção da usina.
Os indígenas concordaram em deixar o canteiro depois que representante do governo federal foi ao local no final da tarde de quinta-feira, apresentando a proposta de reunião em 4 de junho, por meio de carta do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, informou o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em nota.
Na terça-feira, ordem judicial determinou a reintegração de posse do canteiro de obras Sítio Belo Monte, ordenando a desocupação em 24 horas. O prazo terminou no final da tarde quarta-feira, mas os indígenas não saíram do local.
A ocupação foi a segunda ocorrida em maio pelo mesmo motivo, com centenas de indígenas exigindo a paralisação imediata de todos os processos referentes à construção de usinas nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires e realização de consultas prévias aos povos.
As obras da hidrelétrica Belo Monte completam dois anos em meados de junho e desde seu início sofreram diversas paralisações - por greves de trabalhadores ou ocupações de índios e ribeirinhos- totalizando mais de 90 dias em que pelo menos um dos canteiros de obra da usina ficaram paralisados, segundo a CCBM.
A expectativa é de que a usina entre em operação em 2015 e tenha cerca de 11 mil megawatts (MW) quando estiver totalmente concluída.
A Norte Energia, responsável pela usina, tem entre os acionistas a Eletrobras, os fundos Petros e Funcef, a Neoenergia, a Cemig e a Light.