E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Por hidrovia, Salame e Júlia Rosa vão mobilizar municípios do Carajás

O presidente da Companhia Docas do Pará (CDP), Carlos José Ponciano da Silva, e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Hito Braga de Moraes, reuniram-se com o prefeito João Salame Neto e diversas autoridades no final da tarde de hoje (3), para apresentar o projeto do Sistema Integrado do Rio Tocantins, que inclui a Hidrovia Araguaia-Tocantins e terminais, incluindo o Múltiplo Uso 2, na Vila do Conde.
Após a reunião, carregada de termos técnicos ficou claro que há interesse do Governo Federal em executar a derrocagem do Pedral do Lourenção, mas que é preciso mobilização geral para garantira obra. Salame deixou claro que está mais que disposto a sair arrebanhando apoios de prefeitos e parlamentares da região do Carajás para pressionar Brasília e começar a livrar a região do jugo pesado imposto pela Vale.
Segue texto da Ascom/PMM. A foto é de Hélder Messiahs:
A reunião, realizada no auditório da prefeitura, teve à frente o secretário de Indústria, Comércio, Mineração, Ciência e Tecnologia (Sincom), Ítalo Ipojucan. Segundo ele, pouca gente conhece este estudo para a realização do projeto. Daí a importância dos representantes da UFPA e da CDP o explicarem para a sociedade local.
Hito Barga, coordenador do projeto feito pela UFPA, explicou todos os detalhes do estudo para tornar o Tocantins navegável durante todo ano, no trecho Marabá-Tucuruí, que inclui a derrocagem do Pedral do Lourenção, em uma extensão de 43 quilômetros. Ele deixou claro que esse projeto é o único viável, porque torna o custo da obra acessível. Qualquer outro é inviável, segundo ele, em função do alto custo.
Segundo ele, o projeto deixa o trecho do rio com uma largura de 70 metros, com uma profundidade, no período de seca, em torno de quatro metros de profundidade garantindo a navegação segura. Ele observou que o rio Mississippi, por exemplo, nos Estados Unidos, é navegável com dois metros de profundidade e, em alguns países da Europa, se navega com menos que isso.
O projeto tem um custo de R$ 520.144.372,79, valor muito abaixo de projetos que aumentem a largura ou alterem o canal natural do rio. Em relação ao custo/ano dos três tipos de transporte, ficou demonstrado que o rodoviário é o mais caro, seguido do ferroviário. O transporte fluvial sai por menos da metade do transporte ferroviário.
O presidente da CDP, Carlos Ponciano, lamentou que o projeto até hoje não tenha sido executado e pediu aos parlamentares e à sociedade como um todo que se engajem nessa luta.
“O Pará precisa ser respeitado. Não podemos mais permitir que esse Estado, que contribui com boa parte do Produto Interno Bruto do País, seja tratado como um Estado de segunda categoria. Ver o que é produzido aqui não ter como ser escoado, porque estamos condicionados a apenas um meio de transporte, que é gerido por uma única empresa, é um tapa na nossa cara”, disse criticando a atuação da Vale na região.
A presidente da Câmara Municipal, vereadora Júlia Rosa, disse que o Legislativo de Marabá vai liderar a realização de um seminário para debater o assunto, contando com a presença de todas as câmaras e prefeituras da região.
Nesse sentido, o prefeito João Salame, que já tinha conhecimento desse estudo da UFPA, sugeriu que o seminário conte com a presença de representante do Governo Federal e Estadual e que já se aproveite a presença em Marabá de autoridades ligadas ao Governo Federal, agora no aniversário da Cidade, para apresentar essa demanda. “Se depois desse seminário as coisas não fluírem, vamos encabeçar uma campanha, unindo prefeituras, câmaras de vereadores e sociedade civil organizada, com divulgação na mídia, em prol da hidrovia. Vamos mostrar a todos que a hidrovia é vital para o nosso desenvolvimento”, frisou Salame.