E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

quarta-feira, 20 de março de 2013

"Marabá está fadada a dar certo", diz Salame na TV ou A fantasia tucana em frangalhos.

O título pode parecer contrastante demasiado, mas vocês verão como a visão de um futuro promissor possível e desejável consegue deixar em ruínas certas fantasias. Allez, mes enfants!
Na noite de ontem (19), o prefeito de Marabá João Salame Neto foi um dos entrevistados no programa Argumento, apresentado por Mauro Bonna, na RBATV. O outro, Luis Fernandes, secretário de Segurança Pública do Pará, havia acabado de pintar em cores brilhantes o presente do Pará, sob o olhar condescendente do apresentador, quando João, por um desses acasos perfeitos, nos fez sair do conto-de-fadas tucano e nos obrigou a encarar a dura realidade cotidiana de um Estado que bate todos os recordes de violência, abandono e incompetência.
João mostrou a situação lastimável na qual recebeu a Administração Municipal, com dívidas que somadas ultrapassam em muitos milhões a capacidade de pagamento e comprometem a possibilidade de investimentos com recursos próprios. Reconheceu que sem ajuda seria impossível atender às demandas de Marabá, quase todas urgentes e aguardadas por décadas.
João frisou que, enquanto o Governo Federal demonstra alguma boa vontade para realizar obras estruturantes em Marabá - derrocamento do Pedral do Lourenção, UNIFESSPA, asfalto e saneamento - o governo de Jatene vive propagandeando obras contratadas, em sua maioria, ainda pelo governo de Ana Júlia Carepa, como é o caso das obras da Cosanpa e a construção do Centro de Convenções. De dinheiro "novo" apenas a reforma da UTI do Hospital Regional, que já não atende mais às necessidades da região.
Bem ao seu estilo, João botou o dedo na ferida, ao lembrar que, enquanto Belém - sob a administração do tucaninho de estimação de Jatene - recebia um "mimo" de R$ 10 milhões apenas para "limpar as ruas", as prefeituras do interior ficaram mais uma vez de mãos abanando e ainda aguardam as migalhas que lhe venham a cair no prato.
Mas, demonstrando espírito público, Salame ressalvou que, guardadas as diferenças políticas, está de portas abertas para receber investimentos do Governo do Estado. Claro que para que isso aconteça, Jatene teria que romper a inércia que engessa seu governo. Portanto, há pouca esperança.
As eleições da AMAT também foram abordadas. Sem tergiversar, João lembrou a forma bem pouco republicana com que comportou-se Jatene na disputa, oferecendo vantagens aos prefeitos que aceitassem sua tutela. Referiu, algo já dito aqui neste blog, como a AMAT perdeu sua razão de ser. Tornou-se uma instituição inútil e cara. Sair da AMAT foi apenas uma medida de economia de recursos públicos. Não nos fará falta.
O momento de humor ficou por conta do apresentador que sugeriu haver interesse de Jatene em gastar seus caraminguás com a derrocagem do Lourenção. Ora, considerando que Jatene nega-se em pagar plantões para policiais nas delegacias por alegada falta de dinheiro, é piada de péssimo gosto sugerir que o tucano teria disposição para bancar as obras que garantirão a hidrovia. Diplomático, João sorriu de lado e afirmou que "seria um ato de extrema coragem" de Jatene custear as obras. Eu, na poltrona da sala, caí na gargalhada.  
Ao final, Salame demonstrou todo seu otimismo. "Apesar dos governos, Marabá está fadada a dar certo", disse o prefeito. Com isso, Salame mostra que a decisão de fazer dar certo nossa cidade não está nas mãos de governantes. Prefeitura, Governo do Estado e União Federal podem, no máximo e quando bem geridos, ser indutores de desenvolvimento. Só nós, os que votam e pagam impostos, poderemos construir Marabá de acordo com nossos sonhos e necessidades, sem tutelas, sem cabresto.
Concluo dizendo apenas que a entrevista de Salame, mostrando a realidade dura que vivemos, rasgou a fantasia cor-de-rosa que o secretario de Segurança Pública, minutos antes, havia tentado vender ao distinto público. Nestes tempos bicudos que correm, são raros os gestores com coragem suficiente para, em nome de uma visão ideológica e compromisso com sua história, contestar a lógica canalha baseada na submissão e no apoio cego e incondicional ao régulo de turno. Lembrando os tempos do Plebiscito, ontem, Salame voltou a ser a nossa voz, a voz de 97% da população do futuro Estado do Carajás, que não suporta mais o descaso e a omissão do Governo de Estado, a voz daqueles que acreditam que, nem que seja na base da picareta, haveremos de dividir o ingovernável Pará e construir Carajás. 
Carajás, sempre!