E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

quarta-feira, 27 de março de 2013

Criança morre por septicemia no Hospital Municipal de Marabá. Secretaria de Saúde descarta erro médico.

O secretário municipal de Saúde, Nagib Mutran Neto e o diretor técnico do Hospital Municipal de Marabá (HMM), Alex Freitas, concederam entrevista coletiva à imprensa na tarde desta quarta-feira (27), para falar sobre o caso da menina que morreu na noite de ontem (26) no HMM. Segundo Alex, que é médico infectologista, a criança, Emilly Vitória Medeiros Oliveira, de 4 anos, tinha varicela (catapora), mas desenvolveu outra enfermidade, que a levou a óbito.
Ele explicou que a criança foi atendida na segunda-feira, por volta de 12h30, e foi diagnosticado com catapora já em fase de cura. Foi medicada e liberada para que continuasse o tratamento em casa, como é normal nesse tipo de enfermidade, mas sob a orientação de que, caso apresentasse alguma alteração de seu quadro clínico, retornar ao hospital.No dia seguinte, no final da tarde, a família trouxe a criança novamente e, desta vez, apresentando já o quadro de septicemia (infecção generalizada), falecendo pouco tempo depois. Segundo o especialista não há como detalhar o que causou esse quadro infeccioso, mas ele ressalta que a própria ferida na pele, causada pela catapora, pode ter servido de porta entrada para alguma bactéria.A septicemia pode conduzir rapidamente a um choque séptico e à morte. A septicemia associada a alguns organismos, como os meningococos, pode levar a choque, insuficiência adrenal e coagulopatia intravascular disseminada, uma condição denominada síndrome de Waterhouse-Friderichsen.
O diretor disse que conversou com os médicos que atenderam a menina e eles garantiram que deram o atendimento necessário. No entanto, diante do quadro, extremamente grave, ela veio a óbito.
Alex também garantiu que o hospital não reteve a receita da paciente, como chegaram a denunciar os familiares e disse que o prontuário de atendimento está à disposição para quem quiser consultar. “Não temos nada a esconder”, ressaltou.
Ele também disse que, ao contrário do que a família suspeita, está praticamente descartada a hipótese da criança ter recebido medicação errada. “O próprio laudo prévio do IML, de septicemia, derruba essa hipótese”, acrescentou Alex, frisando também que se o quadro da criança na primeira vez que foi atendida indicasse internação, mesmo estando com catapora, seria internada em uma área isolada.
A família teria dito que o médico não quis internar a menina, alegando que a doença poderia contaminar outras crianças da ala pediátrica do hospital. “Não existe isso. Se fosse necessário, ela teria sido internada”.
O secretário de Saúde lamentou o ocorrido e disse que, assim que foi informado, mandou apurar para ver o que de fato tinha acontecido. “Pelo que fui informado, o quadro infeccioso foi severo, não tendo como salvar a criança. Como médico, sei que a infecção quando generaliza, é difícil salvar o paciente, porque acontece logo a falência dos órgãos”.
Ainda segundo o secretário, apesar de ainda apresentar inúmeras deficiências, o atendimento no HMM já melhorou muito. Ele falou das medidas já adotadas e que estão sendo tomadas para equacionar os problemas, crônicos do hospital, pela falta de investimentos das gestões passadas.