E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Jatene elege Sancler na Amat e a nota de Salame. O que falta para prefeitos sérios saírem desta entidade teleguiada?

Sancler - Vitória "pré-fabricada"
O enredo é conhecido: prefeitos de pires na mão, em início de gestão, encontram um governador que - tal qual outros que o precederam e tantos que o sucederão - não tem pena de gastar o dinheiro público para garantir uma discutível vitória política. No final, como era previsível, coube ao Governo do Estado do Pará, à frente o tucano Simão Jatene, impor o nome de sua preferência para presidir a Amat-Carajás. De interessante no filme "de quinta" encenado na sexta-feira (22), duas coisas: o custo da "película" - algo em torno de R$ 200 milhões em promessas de asfalto e a desocupação da fazenda de um prefeito "aliado" pela PM (trata-se da privatização da PM à moda tucana); além disso merece destaque o fato de que 11 prefeitos do Carajás disseram não ao Califa de Belém. Já é um bom começo.
A verdade é que, a cada eleição "pré-fabricada" pelos poderosos de Belém, a Amat perde relevância e o pouco respeito que poderia merecer. Desde sexta-feira, Sancler Ferreira, prefeito de Tucuruí, é o novo preposto de Jatene à frente da Amat. Que Sancler e Jatene fiquem com o cargo se o cargo lhes apraz. 
Eleger Sancler, além de expor os métodos discutíveis do governo tucano, realça o que muitos sabemos: Jatene faz política com o fígado e, por conta disso, tratou de confrontar Salame em uma eleição que pouco ou nada significava, usando todo o arsenal que dispõe. Como se vê, "relacionamento republicano", com o tucano-mor, é só até a página três. A partir daí, a mesquinharia dita o ritmo das ações.
O recomendável é que os 11 prefeitos que ousaram votar contra o interventor de Jatene na Amat, tenham um pouco mais de coragem e rompam de vez com o engodo no qual esta associação transformou-se. Que constituam uma outra entidade representativa que tenha por objetivos a integração dos municípios, a defesa de seus interesses frente aos governos estadual e federal e, principalmente, a construção do Estado do Carajás. Para que gastar vela boa com este defunto ruim?
E que Sancler e Jatene não se enganem: a luta por Carajás não precisa da Amat para ser travada! Quando 95% dos carajaenses disseram sim ao novo estado, a luta deixou de ser "dos políticos" ou "dos empresários" e tornou-se bandeira de todos nós, que moramos, sofremos, vivemos e construímos o Estado do Carajás.
A seguir, sem retoques, leiam a nota de João Salame Neto, prefeito de Marabá, sobre a eleição da AMAT.Nota sobre a Eleição da AMAT

Nesta sexta-feira aconteceu a eleição para a presidência da Associação dos Municípios do Araguaia e Tocantins (Amat). Essa entidade surgiu com forte compromisso com a criação do Estado de Carajás.

Não era minha intenção participar desta eleição, pois tenho grandes desafios a enfrentar diante do caos que recebi a prefeitura de Marabá. No entanto, participar passou a ser importante diante da conformação da única chapa que existia, encabeçada pelo prefeito de Tucuruí, Sancler Ferreira. Decidi apresentar meu nome para que uma verdadeira farsa não fosse consumada sem nenhuma reação.

O prefeito de Tucuruí não moveu uma palha na luta pela criação do Estado de Carajás. Não participou de um comício, de uma reunião sequer. Nem mesmo no seu município. Não por acaso foi justamente em Tucuruí que tivemos a menor votação no plebiscito. Cerca de 66% dos votos, contra mais de 95% na maioria dos municípios da região.

Não seria justo que exatamente esse prefeito se tornasse presidente da Amat, que tem no seu estatuto a luta pela criação do Estado de Carajás como prioridade.

Mais grave ainda é que sua candidatura passou a ser articulada diretamente pelo governo do estado, que liberou secretários para montar acampamento em Marabá oferecendo asfalto para os prefeitos votarem na sua chapa. Vários prefeitos confessaram este fato. Um outro chegou a dizer que sua fazenda foi invadida e se não votasse no candidato do Governo, a polícia não iria retirar os ocupantes de sua propriedade.

Esses fatos revelam que a Amat perdeu importância.Deixou de unir os prefeitos para lutar pelo Carajás, pela hidrovia do Araguaia Tocantins, pela pavimentação de nossas estradas, pra se impor diante do Governo do Estado e exigir tratamento igual ao que é dado à prefeitura de Belém. Só na data da eleição da Amat ela volta a ter alguma importância como moeda de troca para migalhas, para promessas na maioria das vezes não cumpridas.

Tinha a obrigação de trazer esses fatos ao povo de Marabá, pois a Amat recebe quase R$ 20 mil por mês do nosso município. Ou quase R$ 1 milhão de reais em quatro anos de governo. Dinheiro que faz falta na solução dos graves problemas por que passa Marabá. Sobretudo para alimentar uma entidade cuja maioria dos seus membros perdeu qualquer perspectiva de ação coletiva, abandonou qualquer compromisso com a luta maior do povo de Carajás.

Disputei para não compactuar com isso. Infelizmente, como a votação é secreta, não temos como revelar os nomes dos 10 prefeitos que nos prestigiaram com o seu voto. Que resistiram a todo tipo de pressão. A esses meu mais profundo agradecimento. Ao povo de Marabá, a quem verdadeiramente devo obrigações, a certeza de que valorizaremos cada centavo que entra nos cofres da prefeitura, impedindo que esse dinheiro seja usado para financiar atividades que vão contra a luta histórica de nosso povo pela criação do estado de Carajás.



Marabá, 22 de fevereiro de 2013