E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

"Governo da preguiça", diz Puty sobre administração de Jatene

O deputado federal Claudio Puty (PT) publicou em seu blog, ontem (17) artigo no qual desanca o atual governo tucano do Pará. O título - Governo Preguiça: Jatene parou o Pará - não deixa dúvida que o chumbo é grosso. Resumidamente, Puty, economista de formação, faz um comparativo rápido entre os 4 anos de Ana Júlia, antecessora de Jetene, e estes dois anos e quebradinhos sob direção tucana.
Segundo Puty, o resultado é amplamente desfavorável ao governador tucano.
Em seu mandato, Ana Júlia investiu um valor próximo de R$ 3,6 bilhões - média de R$ 892,7 milhões por ano. Jatene investiu, até agora, R$ 1,03 bilhões em dois anos de mandato - média de R$ 512 milhões por ano.
É importante frisar que as comparações foram feitas no tocante apenas a investimentos, excluindo-se despesas com pagamento de pessoal, dívidas e custeio da máquina pública.
Puty afirma que, em 2011, com uma arrecadação de mais de R$ 13 bilhões, Jatene investiu apenas R$ 553 milhões de reais, valor muito abaixo da média de investimentos anuais realizados por Ana Júlia, que contava com uma receita de aproximadamente R$ 10,1 bilhões por ano.
Em 2008, a receita do Pará foi de R$ 9,7 bilhões. Ana Júlia investiu R$ 919,1 milhões. Em 2012, segundo ano do governo Jatene, a receita até outubro alcançou R$ 12,6 bilhões. O investimento, no entanto, despencou ainda mais: apenas R$ 472,6 milhões. Ainda que investimentos significativos tenham sido feitos nos dois últimos meses do ano, é impressionante a retração do governo Jatene.
O deputado petista lembra que este é o nível mais baixo de investimento desde os governos "biônicos" da época da Ditadura Militar.
Os argumentos para justificar os números ruins são os mais diferentes. A depender do tucano com quem se converse, ouve-se que a "retração é reflexo da crise mundial", "o Governo Federal não apoia os Estados como deveria" ou "precisamos rever o pacto federativo". Um deles, com quem conversei há pouco, afirmou que a capacidade de investimento do Pará estava comprometida em função da "herança maldita" deixada pela gestão petista e que, a partir deste ano, os investimentos crescerão para alcançar a média aceitável.
É o tipo de argumento que, por inverídico que seja, ganha foro de aceitável  na medida em que se sabe que o governo de Ana Júlia não foi exatamente um primor no quesito capacidade gerencial. As tradicionais divergências internas ao PT e as tricas e futricas cotidianas com seus aliados impediram que Ana Júlia fizesse um governo acima da média.
Um parêntese: Ana Júlia não perdeu a eleição para Jatene por conta de equívocos gerencias. Quem lê o blog há mais tempo sabe que sempre creditei a derrota do PT no Pará em 2010 aos equívocos na condução POLÍTICA das alianças estabelecidas pelo governo de Ana Júlia com as "tendências" do PT e com os partidos da base aliada. Mesmo sem ter sido brilhante na gerência do Estado, Ana Júlia esteve na média dos governos anteriores, considerando ainda que era a primeira experiência do PT à frente do Governo do Estado. Acredito que um segundo governo seria bem melhor. Lembro que Ana começou a campanha de 2010 como líder e favorita, apoiada por mais de 15 partidos. Ocorre que a dinâmica eleitoral foi cruel com Ana e com o PT. Jatene e o PSDB aproveitaram-se das dissidências e insatisfações ENTRE OS PRÓPRIOS PETISTAS E SEUS ALIADOS para minar a candidatura da então governadora e conseguir uma vitória improvável.
Mas, voltemos ao curso. A tese da "herança maldita" pode servir como justificativa, mas não serve como explicação. Ainda que a capacidade de investimento estivesse comprometida em 2011, os recordes de arrecadação seriam suficientes para elevar os valores investidos já no ano seguinte. De forma contraditória, Jatene ampliou a arrecadação, mas reduziu os investimentos em valores absolutos e em números percentuais.
Explicações, desculpas ou justificativas à parte, é inegável que o Pará vive um ciclo de estagnação. Na conjuntura atual, com o mercado mundial cercado por incertezas, Jatene fez com que o Pará se tornasse um ambiente ainda mais hostil aos negócios, com a criação de taxas estapafúrdias e mudanças nas regras de recolhimento de ICMS. Combine a isso estradas precárias e nenhum investimento em formação de mão-de-obra local e teremos um cenário de pasmaceira econômica e, pior, um quadro que prenuncia retrocesso.
Isso tudo ocorre um ano depois de Jatene, na sua "cruzada" contra Carajás e Tapajós, ter afirmado que o Pará é rico e "pujante", que bastaria dar-nos as mãos para que passássemos do inferno ao paraíso!
Ao fim e ao cabo, está bem claro que nem mesmo Jatene achava que poderia ganhar em 2010. O PSDB não tinha projeto nem programa e ganhou de presente uma vitória que lhe caiu no colo. Sem rumo começou sua gestão e sem rumo terminará. Nenhuma nova obra estruturante visando integrar as diversas regiões do Pará está sequer sendo planejada. E a explicação é simples. Para Jatene, Belém e região haverão de garantir sua reeleição. Já as regiões de Carajás e Tapajós lhe farão oposição ferrenha. Então, por quê haveria ele de gastar vela com defuntos alheios?
Dou um exemplo. A PA 150, construída por Jáder Barbalho e pavimentada por Almir Gabriel, segue a única rota a ligar o Sul do Pará ao norte do Estado. Merecia ser duplicada. Jatene faz, à prestação, um recapeamento meia-boca. Enquanto isso, destina mais de bilhão para Belém - administrada pelo tucano Zenaldo - e para Ananindeua - administrada, adivinhem, pelo também tucano Manoel Pioneiro.
Resumidamente, nós, carajaenses e tapajoaras, nos tornamos aos olhos dos tucanos, cidadãos de segunda classe. Isto explica a charge que ilustra este post (extraída do Jornal Pessoal, de Lúcio Flávio Pinto).
O governo tucano do Pará, com seus investimentos pífios e suas escolhas erradas, demonstra uma certa aversão ao trabalho, uma enorme letargia em cumprir seu dever. Resta saber se o distinto eleitorado paraense haverá de, em 14, demonstrar sua aversão a esta forma preguiçosa de governar ou vai votar de novo nos tucanos. Oremos.