E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Jatene diz que vai elaborar "Plano Regional de Segurança". Dá para acreditar?

Através de seu perfil no Facebook, o deputado federal Wandenkolk Gonçalves fez a seguinte convocatória ontem (29):
A segurança pública no sul do Pará sempre foi uma das minhas maiores preocupações. Em atenção aos graves problemas enfrentados pelos municípios dessa região vou participar amanhã e nos dias 31 de janeiro, 04 e 06 de fevereiro das Audiências Públicas nos municípios de Marabá, Parauapebas, Redenção e São Félix do Xingu, respectivamente. Vamos elaborar o Plano Regional de Segurança Pública e promover o fortalecimento das ações do Sistema Estadual de Segurança Pública e Defesa Social no interior do Estado. Vamos participar, pessoal! A nossa região merece!
Vamos por partes, como Jack, The Ripper:
Mas antes, permitam-me uma pequena digressão.
Qualquer um que leia o blog com alguma frequência sabe que tenho por Wandenkolk não apenas o respeito que o cargo impõe, mas a consideração e o apreço que apenas a amizade é capaz de construir. O apoiei por três motivos claros: em mais de 30 anos de vida pública, passando por alguns dos mais altos cargos da política paraense, jamais foi alvo de acusações de improbidade ou esteve envolvido em bandalheira (convenhamos, nos tempos que correm, é algo raríssimo!); defendeu a criação do Estado do Carajás, contra a vontade do todo-poderoso Jatene; e, por fim, tem feito de seus mandatos instrumentos para o desenvolvimento da região do Carajás, em especial no que diz respeito à produção rural.
Dito isto, sigamos.
Infelizmente, Wandenkolk segue refém da pirotecnia tucana. Vejam lá que o nome é pomposo e a meta ambiciosa. Trata-se de elaborar um certo Plano Regional de Segurança Pública com o fito de promover o fortalecimento das ações do Sistema Estadual de Segurança Pública e Defesa Social no interior do Estado.
Mas, como tudo que vem sendo produzido na distante Belém, o nome não reflete a realidade.
Que "plano" pode propor um governo cuja polícia é insuficiente para garantir um jogo de futebol durante o período do Carnaval? Pois não foi esta a desculpa apresentada para antecipar o clássico RExPA de domingo para sábado passado?
Que "plano" pode propor um governo que amarga o crescimento exponencial da violência na própria "capital", onde até mesmo instalações da Secretaria de Segurança Pública são assaltadas?
Que "plano" pode propor um governo que paga um dos menores salários de todo o País para seus policiais arriscarem suas vidas diariamente no combate ao crime?
Que "plano" pode propor um governo que não consegue diminuir o déficit - hoje, em mais de 17 mil homens - no efetivo da Polícia Militar?
Que "plano" pode propor um governo que atrasou a implantação de monitoramento por vídeo em Marabá por mais de 18 meses?
O que talvez os tecnocratas tucanos de Belém não saibam é que cidades como Tucuruí, Marabá, Parauapebas e Redenção - para citar apenas algumas das maiores cidades da região, debatem-se com o terrível problema do tráfico de drogas. Como as drogas não são produzidas na região, é possível assumir que são as estradas - federais e estaduais - seus grandes canais de abastecimento. Sem a articulação das Polícias Federal, Rodoviária Federal e Estadual será impossível combater de forma eficiente o tráfico de drogas, razão direta ou indireta de mais de 87% dos crimes violentos.
Coibir o crime, missão primeira das polícias em qualquer lugar do mundo, somente tem efetividade com mais policiais, armas, veículos e cadeias, em outras palavras, com INVESTIMENTOS RELEVANTES E CONTÍNUOS, algo que está muito além da vontade política e dos recursos do governo tucano de Jatene, no Pará.
Assim, segue o governo de Jatene a elaborar seus "planos", todos parecidos com fogos de artifício, como a imagem que ilustra este texto: bonitos de ver mas, na prática inúteis. Na política, a pirotecnia oficial tucana no Pará reveste seus "planos" com muitas palavras e poucas ações, enquanto a populaça comum permanece refém do crime e da violência e ten apenas um plano: sobreviver!