E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Gurgel é acusado de direcionar licitação milionária para compra de ipads

O site Correio do Brasil repercutiu reportagem de Renato Rovai, editor da revista Fórum, na qual o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, é acusado de direcionar licitação para aquisição de mais de 1.200 tablets para a PGR. Realizado na tarde do último dia de 2012, o pregão eletrônico estabeleceu regras que beneficiaram de forma clara a Apple, fabricante dos cobiçados "ipads" e impediram qualquer outra empresa de sequer candidatar-se ao certame. O valor da aquisição alcança mais de dois milhões e novecentos mil reais.
Os mimos servirão aos procuradores federais e ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Até aqui a PGR segue em silêncio e apenas o CNMP manifestou-se afirmando que a compra realmente já foi feita, mas que os ipads ainda não foram entregues. 
Gurgel ficou conhecido nacionalmente por patrocinar a denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF), que deu origem à Ação Penal (AP) 470, conhecida como o Mensalão, na qual ex-integrantes da cúpula do PT e do governo Lula foram condenados por diversos crimes contra a administração pública.
Leia a seguir a íntegra da reportagem do site Correio do Brasil:

A Procuradoria Geral da República (PGR) realizou licitação no final de 2012 para a compra de 1226 tablets – 1200 para a PGR e 25 para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em um certame viciado para que a empresa Apple Inc., com sede nos EUA e representantes no Brasil, vencessem os demais concorrentes e faturasse uma quantia superior a R$ 2,9 milhões, segundo denúncia publicada, nesta terça-feira, pelo jornalista Renato Rovai em sua página, na internet. “Não se discute a importância dos aparelhos para o exercício da função dos procuradores, o interessante foi como o edital para compra pelo órgão comandado pelo senhor Roberto Gurgel foi produzido para que a vitoriosa no processo fosse a Apple”, afirma o editor da Revista Fórum.
“A Lei de Licitações determina que marcas não podem ser citadas em editais de compras públicas, mas o edital da licitação da PGR (141/2012) cita a Apple ao menos duas vezes e exige tecnologias que só a empresa detém, o que inviabiliza a participação de qualquer outra fabricante. Ou seja, como se diz no universo das concorrências, a licitação foi dirigida. Nas especificações técnicas para os tablets licitados, o edital determina que o aparelho precisa possuir a tecnologia ‘Tela Retina’, que é exclusiva da Apple e que venha equipado com o chip Apple A5X dual core, fabricado apenas para produtos da marca”, acrescentou.
Veja, abaixo, os fac-símiles dos documentos:


Fac-símile




Fac-simile




Fac-símile

Exige-se ainda uma capa para tablet, fabricada pela Apple e desenvolvida especificamente para o Ipad. Veja nas imagens abaixo onde a marca foi citada no edital.
O repórter Felipe Rousselet, da revista Fórum, entrevistou Cláudio Weber Abramo, executivo da ONGTransparência Brasil, indagando-o sobre a legalidade de uma licitação feita nestes moldes. A resposta foi curta e direta:
– Essa licitação é ilegal. As dimensões já direcionam. É difícil, mesmo pela Apple, conseguir este tipo de precisão. Não nas dimensões, mas no peso é aceitável que exista uma diferença de uma ou duas gramas.
Evidente que a vencedora da concorrência em pregão eletrônico foi a Apple.
E mais, as dimensões exigidas no edital são exatamente as mesmas doIpad. No comparativo entre o site da Apple e o texto da licitação, as dimensões informadas no site da Apple e dimensões exigidas na licitação da PGR.
O Correio do Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa da PGR, que informou a inexistência de qualquer resposta sobre a denúncia formulada. Na Apple.Inc, em sua representante no país, nenhuma resposta também foi emitida. O CNMP, ouvido pelo repórter Rousselet por meio de sua assessoria, afirmou que não participou da elaboração do edital para a compra dos tablets, sequer do processo de fiscalização, apesar de ser beneficiado com algumas unidades do equipamento. O CNMP disse ainda que o dinheiro ainda não foi empenhado. “Ou seja, a empresa vencedora já foi escolhida, mas o pagamento e a entrega dos tablets ainda não foram feitos”, afirmou o porta-voz do Conselho.
“Roberto Gurgel que abusou dos holofotes da mídia para discursar sobre o ‘mensalão’, agora prefere se calar sob a suspeita de licitação dirigida envovendo R$ 2.940.990,10 no órgão que preside. Só para constar, o que em tese não é algo ilicito, mas pode explicar muita coisa. Esse pregão eletrônico ocorreu no dia 31 de dezembro à tarde, quando o órgão já estava em recesso. Dia 31 de dezembro à tarde, você não leu errado. E mesmo assim o órgão comandado por Gurgel acredita que não tem nenhuma explicação a dar à sociedade brasileira”, afirmou Rovái.