E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Em Belém, Edmilson ganha ajuda de Padilha, mas precisa de Dilma

Tenho pouco interesse no que acontece em Belém. Apesar de parte da afetividade ainda continuar atrelada à Mangueirosa (sigo considerando Belém a cidade linda mais mal tratada do mundo), importo-me muito mais com o que está por vir em Marabá ou Parauapebas. Mesmo assim, por dever de ofício, tenho assistido aos programas eleitorais neste segundo turno na capital. E já firmei pelo menos uma convicção: a continuar nesta toada, Edmilson, para usar uma expressão do rico patuá parauara, "vai levar farelo". E por incrível que pareça, isso poderia ser evitado.
Explico.
Basta ver o programa de Zenaldo para perceber que vende-se a ideia que Jatene estará comprometido com a gestão de seu "golden boy" na prefeitura. O dinheiro que faltar para Zenaldo, Jatene se encarregará de arranjar - dos quase 2 bilhões de reais dos tais empréstimos, Jatene diz que 600 milhões serão destinados para a capital.
Besta quem pensa que o povo é besta. O eleitor está desconfiado que Belém não tem lá grandes recursos para se bancar sozinha e sabe muito bem que é, sim, possível tal aporte de recursos por parte do Governo do Pará. Portanto, as parlapatices de Zenaldo ganham aquilo que os escritores de folhetim chamam de verossimilhança.
Caberia a Edmilson mostrar que a tal "parceria" - muito parecida com tutoria - proposta por Jatene e Zenaldo é dispensável. Mas, para desconstituir este enredo é preciso colocar algo no lugar. E a única alternativa razoável está 1.500 km distante. É em Brasília, nas mãos de Dilma Roussef, que está a alternativa ao projeto tucano de tornar-se hegemônico na região metropolitana. Apenas o apoio e o compromisso de Dilma pode injetar novo gás à candidatura de Edmilson.
A questão posta é como fazer isso, considerando a postura raivosa do partido de Edmilson em relação ao governo petista. Ao que tudo indica, as boas referências das duas gestões do psolista bastaram para levá-lo ao segundo turno, mas são insuficientes para fazê-lo prefeito de Belém.
Até aqui apenas o ministro Alexandre Padilha, da Saúde, gravou mensagem de apoio a Edmilson. É muito pouco para quem precisa ganhar praticamente 1 ponto percentual por dia até o dia da eleição.
O Governo Federal precisa vir para a campanha de Edmilson. Caso isso não aconteça a alternativa é preocupante: veremos Jatene, depois de controlar 6 das 10 maiores cidades do Pará, controlar também a capital e pavimentar sua reeleição.