E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Debate na RBATV - Belém entre a cruz e a espada

Já era madrugada nesta sexta-feira (19), quando Zenaldo Coutinho (PSDB) e Edmilson Rodrigues (PSOL) fizeram suas considerações finais no debate promovido pela RBATV reunindo os dois candidatos a prefeito de Belém que disputam o segundo turno das eleições municipais. Era o fim também de um dos piores embates que já presenciei. Ao final, lembrei do velho Leonel e lastimei que Belém - um dia já dirigida por alguém tão grande quanto Antônio Lemos - seja obrigada a escolher entre duas opções tão ruins.

Afastando qualquer tendência à "torcida", a verdade é que nenhum dos dois parecem à altura do desafio de gerenciar uma cidade enorme, que cresce desordenadamente e que nos últimos anos perdeu a condição de metrópole da Amazônia, apresentando índices lastimáveis, sendo uma das 10 cidades mais violentas do mundo, com 2% de saneamento básico, péssimo IDH e campeã em analfabetismo.
Zenaldo e Edmilson, direta ou indiretamente, são responsáveis por este cenário lastimável. O PSDB de Zenaldo está no poder estadual desde a década de 90 do século passado - com um breve hiato de quatro anos quando o PT esteve no Governo do Pará - e tenta vender a imagem de "mudança", de "renovação". Soa falso.
Edmilson, prefeito por oito anos, apesar de ter dado sua contribuição ao caos urbano que toma conta de Belém, tenta mostrar como tudo era cor de rosa quando esteve no poder. O problema é que sabemos que a coisa não era bem assim. O ex-prefeito consegue dizer o óbvio, mostra o que precisa ser feito, mas, infelizmente não consegue mostrar como fazer ou de onde virão os recursos para fazer, falhas imperdoáveis para quem já foi gestor da capital.
Do ponto de vista estrito do desempenho no debate, os dois primeiros blocos foram de Zenaldo, que mostrou-se mais à vontade, sendo incisivo e afirmativo, colocando Edmilson contra as cordas. Ao lembrar as críticas recentes do psolista ao PT - chamado por Edmilson de "partido de mensaleiros" - Zenaldo evitou a entrada de Dilma no debate e pregou a tal "união" com Jatene, é claro. A coisa não ficou pior para Edmilson porque conseguiu pelo menos lembrar que Zenaldo e o PSDB apoiaram Duciomar Costa nas duas eleições anteriores. Nos demais blocos houve um certo equilíbrio. Já na reta final, Edmilson viveu seu melhor momento quando teve coragem de falar em parceria com o Governo Federal, única fonte real de recursos ao seu alcance capaz de viabilizar os investimentos que Belém precisa.
Ao final, foram poucas as propostas razoáveis e muitas as trocas de acusações despropositadas. Um resultado pífio levando-se em conta que um dos dois vai comandar a cidade a partir de 1º de janeiro de 2013. Belém, esta matrona quatrocentona, merecia mais. Uma pena que o espírito de Lemos aparentemente tenha abandonado a Cidade das Mangueiras.
Vendo o desempenho dos dois, ocorre-me que partidos como o PMDB e o PT precisam fazer uma profunda reflexão e tentar descobrir as razões para não conseguirem apresentar candidatos competitivos e capazes de mobilizar a cidade.
Em outra vertente, acredito que é cada vez mais necessário intensificar a luta por Carajás e Tapajós. Sendo Zenaldo e Edmilson alguns dos "melhores" espécimes dos políticos belenenses, chega a ser ridículo que nossas regiões ainda sejam obrigadas a aceitar como válidos estes "líderes" de qualidade mais que duvidosa.