E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

120 anos depois no Theatro da Paz, 'Cavalleria Rusticana' abre o XI Festival de Ópera do Pará


N'O Liberal, hoje (17):
Com a apresentação da ópera 'Cavalleria Rusticana', obra-prima de Pietro Macagni, encenada pela primeira vez no Theatro da Paz há 120 anos, o XI Festival de Ópera estreia para o público em geral nesta quarta-feira (17) com direção cênica de Iacov Hillel, direção artística de Mauro Wrona e Gilberto Chaves e regência de Gian Luigi Zampier. Haverá ainda mais duas récitas, na sexta, 19, e sábado, 20, às 20h.
A trama de amor, ciúme e vingança que acaba em tragédia ganha impulso com a bela peça musical do autor italiano, em cenas alternadas em leveza e forte tensão, protagonizadas pelos solistas Laura de Souza (Santuzza) - considerada hoje uma das maiores sopranos do país - Luciana Tavares (Lola) e Alpha de Oliveira (Mama Lucia), duas paraenses que também se destacam no cenário lírico, e ainda pelo barítono Rodolfo Giugliani (Alfio) e pelo tenor Rinaldo Leoni (Turiddu).A história se passa na Sicília, no século XIX, tendo como pano de fundo um domingo de Páscoa. Os moradores de uma aldeia se reúnem com a família, acompanham uma procissão e vão à igreja enquanto, paralelamente, um grande drama se constrói. Em uma relação pouco amistosa com Mama Lucia, mãe de Turiddu, que o protege e a destrata, Santuzza acaba sendo vítima de sua própria vingança. Ao descobrir que seu amado a trai com Lola, ela acaba contando ao carreteiro Alfio, que quando ele viaja a trabalho sua esposa o engana com Turiddu. Após esta revelação, com o desfecho fatal, ela cai em arrependimento e remorso.
Curta, com duração de 55 minutos, a ópera traz um enredo aparentemente simples, mas digno de um conto de Nelson Rodrigues, só que enriquecido pelo coro de 60 vozes, treinadas pelo maestro Vanildo Monteiro, e pelos figurinos concebidos por Cássio Brasil, executados por Hélio Alvarez, além do cenário que reproduz um anfiteatro grego, projetado e construído em Belém por Fernando Pessoa.
Envolvendo cerca de 600 pessoas, a 11ª edição do festival não se restringe às três óperas programadas. Ainda em outubro, a soprano Laura de Souza ministra Master Class na igreja de Santo Alexandre, no dia 23, às 19h, com entrada franca. Os interessados em participar devem se inscrever no Theatro da Paz, em horário comercial.
O público poderá assistir, ainda, gratuitamente, na Igreja de Santo Alexandre, o Recital Luso-Brasileiro, com o baixo-barítono português Antônio Salgado, no dia 25, às 20h. Já o concerto 'Quando o Jazz encontra a Ópera', com a Amazônia Jazz Band, será no 31 de outubro, às 20h, também no Theatro da Paz.
Mas a engrenagem do evento não para e ainda há muito mais o que mostrar ao público. Enquanto 'Cavalleria Rusticana' está em cartaz, os ensaios de 'João e Maria' já iniciaram junto à Orquestra Jovem Vale Música e, paralelamente, o cenário de 'Salomé', a ópera desafio deste ano, já está sendo montado. Entre a estreia de uma e outra ópera, haverá mais um concerto na Igreja de Santo Alexandre, em homenagem ao centenário do maestro Gentil Puget, no dia 25 de novembro. O festival encerra no dia 1º de dezembro, com o tradicional concerto ao ar livre, em frente ao Theatro da Paz.
Serviço: XI Festival de Ópera, no Theatro da Paz, estreia nesta quarta-feira (17) e segue até 1º de dezembro, com apresentações e récitas no Theatro da Paz e Igreja de Santo Alexandre. Ingressos à venda na bilheteria do Theatro. Óperas - R$ 60,00 (Varanda, Plateia, Camarote de 1ª e Frisas), R$ 50,00 (Camarote de 2ª e Proscênio PNE - Portadores de Necessidades Especiais), R$ 30,00 (Galeria), R$ 20,00 (Paraíso). Concerto da Amazônia Jazz Band - R$ 20,00 (Varanda, Plateia, Camarote de 1ª e Frisas) e R$ 10,00 (Camarote de 2ª, Proscênio PNE, Galeria e Paraíso). (Com informações da Agência Pará)