E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Para um plenário vazio, Demóstenes discursa mais uma vez. "Estou deprimido", diz ele.

Dando sequência aos seus discursos diários em sua defesa, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM e atualmente sem partido-GO) disse nesta sexta-feira (6) que vive de salário e não tem “quase patrimônio nenhum”. O que, segundo ele, comprovaria que não fez negócios com o empresário Carlos Cachoeira.
Demóstenes disse também que seus bens são “limpos”, e que está em depressão desde o início das denúncias. “Vivo de salário. Não tenho chácara, fazenda, gado, ações de empresas. Não tenho quase patrimônio nenhum”, afirmou. De acordo com ele, os únicos bens que possui são os que estão em sua declaração do Imposto de Renda. “Fui advogado, sou promotor, procurador de Justiça por quase três décadas. São funções com bons salários, e ainda assim meu patrimônio é pequeno”, reforçou.
Pela manhã, Demóstenes fez dois discursos. Confirmando o desprestígio que atingiu o quase ex-senador, o primeiro teve a presença de apenas um senador, e o segundo de três parlamentares. Demóstenes afirmou que resolveu duplicar sua fala porque na quarta-feira, quando a Casa estava cheia, não discursou pois o regimento do Senado o impediu de falar antes das votações.
O senador disse também que financiou em 30 anos no Banco do Brasil seu atual apartamento, comprado depois de se separar da primeira mulher. “Após o divorcio, fiquei sem bem algum, até sem lugar para morar”, comentou. Em relação a sua depressão, Demóstenes disse que seus maiores bens são discos e livros, mas doou os livros para bibliotecas e escolas de Goiás. “A depressão que me invadiu me impede de ler e ouvir música, os dois maiores prazeres que desfruto”.
Enquanto Demóstenes agoniza, o prefeito de Palmas (TO), Raul Filho (PT), começa a viver seu calvário. Ele será ouvido pela CPI do Cachoeira na próxima terça-feira (10). Recentemente foi divulgado um vídeo, gravado em 2004, em que o prefeito conversa com o empresário Carlos Cachoeira e pede-lhe apoio político e financeiro, em troca de vantagens quando Raul Filho assumisse a prefeitura. Após a eleição do petista, uma empresa ligada ao mafioso Cachoeira ganhou a licitação para realizar a coleta de lixo, um negócio milionário.
Seis convocações foram aprovadas pela CPMI, realizada na última quinta-feira (5). Além de Raul Filho, foram convocados o ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish; o ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte), Luiz Antônio Pagot; o empresário Adir Assad; a ex-mulher de Cachoeira, Andréa Aprígio e o engenheiro Paulo Vieira de Sousa, conhecido como Paulo Preto, principal arrecadador financeiro de José Serra (PSDB).