E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

sexta-feira, 20 de julho de 2012

MPF denuncia major por sequestro durante Guerrilha do Araguaia

O Ministério Público Federal do Pará (MPF-PA) apresentou denúncia contra o major da reserva Lício Augusto Maciel. Ele é acusado de crimes contra a humanidade praticados durante a Guerrilha de Araguaia, que aconteceu durante a década de 70 no Pará. De acordo com o MPF, Maciel teria sequestrado Divino Ferreira de Sousa, conhecido como "Nunes", que foi capturado e detido pelo exército ilegalmente durante as ações de repressão à guerrilha em 1973.
Segundo a procuradoria, Divino foi emboscado por uma equipe comandada pelo major em outubro de 73, durante a "Operação Marajoara". Houve troca de tiros e três guerrilheiros foram executados. Divino, que sobreviveu ao confronto, foi levado para a base militar Casa Azul, em Marabá, região de Carajás, sudeste do Pará, onte ele teria sido torturado e posteriormente desaparecido.
Lício Augusto Ribeiro Maciel era major-adjunto do Centro de Informações do Exército, quando atuou na linha de frente do combate à guerrilha do Araguaia. Depois de 30 anos de silêncio, ele decidiu contar sua história ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho. O relato está no livro O Coronel Rompe o Silêncio, que ajuda a reconstruir um dos episódios mais sombrios de nossa história recente.Planejada e organizada pelo Partido Comunista do Brasil, o PC do B, a guerrilha do Araguaia resistiu de 1972 a 1975, desafiando o Exército, numa tática que pretendia, a partir da criação de "comitês populares" no interior do país, formar um amplo movimento camponês, capaz de derrotar a ditadura. 
Durante esse período, o Exército mobilizou cerca de cinco mil militares, numa das maiores movimentações de tropas do país. Depois de duas operações fracassadas em 1972, partiu-se para uma terceira ofensiva, em outubro de 1973, com o apoio das Policias Militares dos estados da região e das outras Forças Armadas.
Foi quando o major Lício Augusto Ribeiro, hoje um pacato senhor de 74 anos, começou a atuar. "Dr. Asdrúbal", nome de guerra de Lício, participou ativamente do combate aos revolucionários. Os tiros do major e seu grupo mataram quatro guerrilheiros. No enfretamento, ele também foi ferido x{2013} um tiro no rosto, dado por uma guerrilheira que logo após foi fuzilada, é uma marca que carrega até hoje. Nesse terceiro cerco, o movimento revolucionário foi enfim derrotado.
Este livro revela, em detalhes, a violência e a crueldade que marcaram essa guerra que muitos preferem esconder. O impactante depoimento do coronel Lício que Maklouf confrontou com o de participantes da guerrilha, seja do lado dos militares, seja do lado dos guerrilheiros pode ajudar os familiares dos guerrilheiros mortos a encontrarem seus corpos. Foi justamente para fazer um acerto de contas com essa página inglória de nossa história que o coronel Lício decidiu falar.
Lício Augusto Ribeiro foi o militar que mais matou na guerrilha do Araguaia. O coronel participou da morte de cinco guerrilheiros: três em confronto direto, um depois de ser ferido e a última fuzilada depois de atirar em Lício.
O coronel revela a participação do general Nilton Cerqueira - famoso comandante da operação que matou Carlos Lamarca - na guerrilha do Araguaia. Cerqueira confirma as declarações de Lício e relata sua atuação na repressão aos guerrilheiros do PC do B em entrevista inédita à Luiz Maklouf.
Lício foi o comandante do grupo que prendeu o atual presidente nacional do PT José Genuíno e revela que ele não sofreu tortura na mata, informações confirmadas por Genuíno em entrevista ao autor em janeiro de 2004.
O livro traz o depoimento de militares que nunca haviam falado sobre sua participação no Araguaia, como o coronel Aluízio Madruga e os generais Álvaro Pinheiro e Arnaldo Braga. O Coronel Rompe o Silêncio aponta também os nomes de vários oficiais que atuaram na guerrilha entre eles Wilson Romão, que foi diretor da Polícia Federal do governo Itamar Franco, e Taumaturgo Sotero Vaz, ex-comandante militar da Amazônia.
De acordo com o MPF, o acusado teria reconhecido os crimes em depoimento prestado na Justiça Federal do Rio de Janeiro em 2010. A denúncia contra Lício é assinada pelos procuradores da República Tiago Modesto Rabelo, André Casagrande Raupp, Melina Alves Tostes e Luana Vargas Macedo, de Marabá, Ubiratan Cazetta e Felício Pontes Jr., de Belém, Ivan Cláudio Marx, de Uruguaiana, Andrey Borges de Mendonça, de Santos e Sergio Gardenghi Suiama e Marlon Alberto Weichert, de São Paulo.
O Major Lício é o segundo militar denunciado pelo MPF por conta de violações dos direitos humanos. Anteriormente, a procuradoria já havia movido ação penal contra Sebastião Curió, mas a denúncia não foi aceita na Justiça Federal de Marabá. O MP recorreu, alegando que os crimes cometidos durante o período da ditadura militar no Brasil não prescreveram nem foram anistiados, por serem crimes permanentes já que o paradeiro das vítimas ainda não foi localizado. 
O destino da denúncia contra Lício não deverá prosperar, O STF já firmou entendimento que a Lei da Anistia alcança mesmo todos os crimes cometidos por agentes públicos na repressão ao terrorismo de esquerda. Idem para os crimes cometidos por terroristas contra militares e civis. Melhor assim. Caso contrário, teríamos que aguardar as próximas denúncias do MPF e provavelmente uma delas seria contra uma certa "Vanda da VPR". O oficial de justiça não teria problemas para citá-la. "Vanda" mora no Palácio da Alvorada e agora atende pelo nome de Dilma Rousseff. (Com informações do MPF/PA)