E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

terça-feira, 17 de julho de 2012

E-mail anônimo relaciona membros da cúpula da Segurança de Goiás com grupo de extermínio e assassinatos de radialista e advogado. MP não confirma se Comandante do CME será investigado.

Um e-mail aprócrifo tem circulado desde o dia 13 deste mês pelas redações de Goiânia e causando abalos sensíveis na cúpula da PM goiana. No texto assinado pelo "PM Indignado", em diversas ocorrências a PM, em especial, o Comando de Missões Especiais (CME), aparece como responsável pela morte de civis e militares. O texto afirma que existe uma espécie de "esquadrão da morte" que atua com a sanção do alto comando da PM goiana. Os assassinatos do radialista Valério Luiz e do advogado Davi Sebba teriam sido cometidos por este grupo de extermínio.

A cha­cina no Jardim Olím­pico, por exemplo, ocorrida no final de 2011, na qual foram as­sas­si­nadas 6 pes­soas, in­clu­sive uma cri­ança de quatro anos, teria acontecido, segundo o e-mail, por conta de ex­torsão praticada por PM's contra tra­fi­cantes. Um criminoso, pa­rente das vítimas, teria ame­a­çado de morte um sol­dado e um sar­gento do temido CME.
O assassinato do Cabo Bar­bosa lotado no Ba­ta­lhao da Polícia Ro­do­viária Estadual, no mês de junho, teria acontecido por conta de um de­sen­ten­di­mento entre in­te­grantes do CME e a ví­tima, que seria in­for­mante. Segundo a denúncia anônima, uma grande apre­ensão de ma­conha, vinda de Campo Grande MS, seria feita  com o objetivo de ex­tor­quir o tra­fi­cante, para liberá-lo em seguida. Algo deu er­rado, houve a prisão do tra­fi­cante e o ma­te­rial apre­en­dido teve que ser apresentado.
As mortes do radialista Valério Luiz e do advogado Davi Sebba também teriam sido praticadas por policiais do CME. O e-mail chega a fazer referência a um soldado que, sob ordem do comandante do CME, teria assassinado Valério. Segundo o e-mail, o comandante do CME era diretor do Atlético Goianiense, clube cuja direção era violentamente criticada por Valério em seus comentários.
“É ridículo tentar me ligar à morte do Valério. Eu era um diretor que não tinha palavra ativa no Atlético. E mais, eu saí do clube depois da declaração do Valério sobre a saída dos dirigentes. A família pediu meu afastamento das investigações por eu ter ligações com o clube, mas em momento algum me acusou de nada”, disse Urzêda
Segundo ele, o pedido foi oficializado no dia 19 de junho e ocorreu dois dias depois do comentário de Valério (no dia 17 de junho Valério afirmou que “quando o navio está afundando, os primeiros a sair do porão são os ratos”). A afirmação fez referência ao afastamento de dois dirigentes do clube, no momento em que o time corre o risco de ser rebaixado para a Série B do Brasileirão.
O e-mail também faz menção à Operação Sexto Mandamento, deflagrada em junho do ano passado e que resultou na prisão de integrantes da cúpula da Segurança Pública de Goiás e outros militares goianos. Acusados de homicídios, torturas e extorsões utilizando veículos e armas da PM, os militares foram presos e aos poucos liberados. Segundo a denúncia, a maioria dos militares investigados pela Sexto Mandamento foram incorporados ao CME sob o comando do tenente-coronel PM Wellington Urzeda. Entre as unidades que formam o CME está o "CME2", uma espécie de "serviço secreto" e que sequer aparece no organograma da corporação.
Urzeda chegou a pedir verbalmente seu afastamento do comando do CME depois que o deputado estadual Mauro Rubem (PT) leu o e-mail durante entrevista para uma emissora de TV de Goiânia, mas voltou atrás e decidiu permanecer no cargo. Ele diz que irá ao Ministério Público Estadual pedir para que seja investigado. O militar deve fornecer autorização para quebra de seus sigilos bancário, telefônico e fiscal e se afastará por 30 dias da corporação para que todas as apurações possam ser feitas. O tempo se refere a uma das três férias que o policial tem direito.
O Ministério Público de Goiás (MP/GO) ainda não informou se determinará abertura de inquérito para apurar as denúncias feitas através do e-mail apócrifo, mas uma fonte próxima ao MP garante que existe todo o interesse por parte de promotores e procuradores em esclarecer as circunstâncias que cercam as diversas ocorrências citadas.