E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

sábado, 21 de julho de 2012

113 cidades têm candidato único e alianças incluem até PT e PSDB

Os moradores de aproximadamente 2% dos munícipios brasileiros já sabem quem deverá ser o próximo prefeito de sua cidade. Não se trata de nenhum exercício de vidência. Das 5.568 cidades que terão eleições neste ano, 113 terão apenas um candidato à prefeitura. Nestes locais os partidos se uniram em torno de um nome, gerando coligações extremas como o PT e o PSDB no mesmo palanque. O levantamento foi feito com base nas informações preliminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No Pará, Piçarra, por exemplo, já tem seu prefeito. Será Wagne Costa Machado, do PMDB, que coligou com o PT e PSDB. Em Goiás, a cidade de Edéia terá Elson Tavares, do PMDB, como seu prefeito.São cidades de todas as regiões do País. Com população que varia de 1 mil a 30 mil habitantes, esses municípios fogem da média de candidato/vaga no restante do País: 2,7, segundo o TSE. Pode até ser estranho, mais uma eleição sem adversários é considerada normal. "Não há vedação em casos assim. É uma eleição normal, como outra qualquer", afirma a assessoria do Tribunal.
Os maiores colégios eleitorais são os que mais trazem esse "fenômeno": em Minas Gerais, são 21 casos, enquanto Rio Grande do Sul e Paraná somam 19 munícipios cada um. Os candidatos "solitários" ainda aprecem em 18 cidades paulistas. Isso também acontece em menor frequência em Santa Catarina (8), Rio Grande do Norte (4), Piauí (4), Paraíba (5), Mato Grosso (4), Mato Grosso do Sul (3) e Bahia (3). Tocantins, Pará, Goiás, Rondônia e Alagoas têm apenas um caso em cada Estado.
Empresários e agricultores são a maioria entre quem já está com um pé nos gabinetes. Embora alguns tenham o ensino fundamental incompleto, há milionários na lista, como Beto Vizzoto (PT), candidato em Paraíso do Norte, cidade paranaense de menos de 12 mil habitantes. Ele possui um patrimônio digno de um político na capital: R$ 8 milhões em bens. É no Paraná também que Gisele Faccin (DEM), de 28 anos, tentará (sozinha) chegar à prefeitura de Presidente Castelo Branco, de quase 5 mil habitantes, pela primeira vez.
Há muitos que tentam a reeleição, como é o caso de Ederildo "Paparico" Bachi (PDT) em São João da Urtiga, munícipio gaúcho de 4,7 mil habitantes. Ele se elegeu em 2008, ganhou de seu adversário e começa agora a campanha para a reeleição - desta vez, sem a oposição. Paparico atrela ao "sucesso de sua gestão" o fato da oposição ter abandonado a ideia de lançar candidato na cidade. "Já houve uma eleição em que os militantes fechavam as ruas. Até o exército interviu na cidade. Hoje conseguimos equilibrar isso. Respeitamos a oposição. É um clima bom", afirma.
Talvez só nessas cidades os nomes das coligações, como "Todos por Jardinópolis (SP)" ou "Todos Unidos por União" (União de Minas/MG), façam realmente sentido. O clima de união é o que move as candidaturas solitárias, segundo os próprios pleiteantes ouvidos pelo Terra.
O município de Abdon Batista, no oeste de Santa Catarina, tem menos de 3 mil habitantes e apenas um candidato: Lucimar Antônio Salmoria (PMDB), com o apoio do PT, PSDB, PP e PSD (nome da coligação? "Todos por Abdon"). Em entrevista ao Terra, o prefeito e correligionário Antônio Zanchett disse que o seu candidato tem "bom relacionamento" com todos os diretórios. Já Salmoria afirma que ser "aclamado" o novo prefeito é muita responsabilidade. "Essa é uma cidade pequena onde existia muita rivalidade política. É um privilégio ser a pessoa que conseguiu ser o elo e reunir todos os grupos", afirmou.
Em cidades consideradas pacatas e pequenas, o importante é manter a unidade, segundo o empresário Tony Lacerda, que concorre pela prefeitura de São José da Safira, em Minas Gerais. "Lideranças, de todos os segmentos, precisavam de um nome que mantivesse a unidade por aqui", explica o candidato único no município de 4 mil habitantes. Lacerda afirma que o fato de ser o único na disputa não significa desinteresse político dos moradores. "A falta de adversários, no nosso entender, é um fator positivo para a campanha eleitoral porque demonstra que os grupos políticos da cidade estão unidos em torno de um projeto maior", observa.
Embora não haja preocupação com ataques de adversários, os candidatos negam o clima de "já ganhou". "(Ser o único candidato) pra mim é gratificante. Mas não é por isso que os eleitores não terão opção de escolha. Ainda há o branco e o nulo", afirma Sebastião Del Piccolo, candidato do PSD em Jeriquara, cidade paulista de 3 mil habitantes, na região de Ribeirão Preto, a 372 km de São Paulo. Em Mirassolândia (SP), com 4 mil habitantes, a professora Terezinha Rodrigues Lima (PCdoB) traz uma grande aliança em torno de sua candidatura: PDT, PTB, PMDB, PTN, PPS, DEM, PSDB e PSB. "Não tem essa coisa de já ganhou. Tem ainda os votos brancos e nulos. Tenho uma campanha de dois meses pela frente", explica.
De acordo com o TSE, esses candidatos, na verdade, não tem o que temer. Se em uma cidade todos os moradores anularem seus votos, mas o candidato votar nele mesmo, ele ganha a eleição - serão 100% de votos válidos. Só perde se não receber nenhum voto ou se a nulidade atingir mais da metade dos votos. O TSE ainda ressalta: a nulidade não se refere a votos brancos e nulos, mas sim quando a Justiça Eleitoral anula votos dados a um determinado candidato que comprou votos ou abusou da máquina pública, por exemplo.