E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

domingo, 24 de junho de 2012

O Globo revela rotina na "Casa da Morte", em Petrópolis. Leia aqui.


Aos poucos e passadas quatro décadas desde os eventos, vão sendo revelados detalhes dos procedimentos ilegais adotados pelo Estado brasileiro no período da Ditadura Militar implantada a partir de 1964, para combater os guerrilheiros de viés comunistas.
Tudo o que sabíamos sobre as coações, torturas e os assassinatos vinha, quase sempre, de relatos de militantes comunistas. De tempos em tempos, alguns funcionários públicos (civis e militares) narram os mesmos eventos pela ótica do Estado opressor. É nesta linha a reportagem imperdível do jornal O Globo, de hoje (24), assinada por Chico Otávio, Juliana Dal Piva e Marcelo Remígio sobre a "casa de convivência", que funcionava em Petrópolis, no Estado do Rio, um dos centros de interrogatório e tortura mantidos pelo Estado Brasileiro nos anos de chumbo.
A leitura da matéria é mais que recomendável. É imprescindível. Principalmente, para aqueles que querem entender um dos períodos mais negros de nossa história. Conhecer e interpretar épocas como nosso passado recente devem servir para valorizarmos o bem mais precioso que uma nação pode almejar: A Liberdade, assim mesmo, com a primeira maiúscula.
Em tempos de Comissão da Verdade, não poderia ser mais oportuna esta reportagem.
A seguir trecho da matéria e aqui o link para a leitura na íntegra:

Depois de cinco horas de conversa, o velho oficial estava livre de um dos mais bem guardados segredos do regime militar: o propósito e a rotina do aparelho clandestino mantido nos anos 1970 pelo Centro de Informações do Exército (CIE) em Petrópolis, conhecido na literatura dos anos de chumbo como “Casa da Morte”, onde podem ter sido executados pelo menos 22 presos políticos. Passados quase 40 anos, um dos agentes que atuaram na casa, o tenente-coronel reformado Paulo Malhães, de 74 anos, o “Doutor Pablo” dos porões, quebrou o silêncio sobre o assunto.
No jargão do regime, revelou Malhães, a casa era chamada de centro de conveniência e servia para pressionar os presos a mudar de lado e virar informantes infiltrados, ou RX, outra gíria dos agentes. O oficial não usa a palavra tortura, mas deixa clara a crueldade dos métodos usados para convencer os presos:
— Para virar alguém, tinha que destruir convicções sobre comunismo. Em geral no papo, quase todos os meus viraram. Claro que a gente dava sustos, e o susto era sempre a morte. A casa de Petrópolis era para isso. Uma casa de conveniência, como a gente chamava.