E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

sábado, 23 de junho de 2012

Novo presidente do Paraguai descarta golpe. "Não vou violar o Estado de Direito", diz.

Após assumir a Presidência do Paraguai na esteira do rápido impeachment do ex-presidente Fernando Lugo, o ex-vice Federico Franco disse que vai se esforçar para conquistar o reconhecimento dos países vizinhos.
“Estou consciente que estou assumindo numa condição desfavorável, mas vou fazer todo o esforço para que o governo seja reconhecido pelas nações como o que é: um país democrático”, disse Franco em entrevista à rede CNN em espanhol.
O novo presidente disse se preocupar com o fato de nenhum país latino-americano ter declarado reconhecê-lo como presidente após o julgamento político que depôs Lugo em apenas dois dias, mas reforçou que assumiu o cargo num processo legal e respeitando a Constituição do país.
“Meu país se orienta por regras muito claras, aqui não há nada de golpe, se fez um julgamento político, o Congresso por uma maioria praticamente unânime aprovou. O presidente teve apenas um voto no Câmara e quatro no Senado. O povo paraguaio está satisfeito com essa decisão”, disse.
Neste sábado, o novo presidente deve anunciar mais nomes do novo ministério, após nomear os ministros de Relações Exteriores e do Interior após a posse.
Franco também disse ainda estar tranquilo quanto a uma possibilidade de sanção ou expulsão do Paraguai por parte de organismos regionais com a Unasul ou o Mercosul, como sugeriu a presidente brasileira Dilma Rousseff na sexta.
“Em primeiro lugar, tenho tranquilidade, [o processo] não foi atropelado, nada. Os presidentes dos países vizinhos saberão conversar. A única função que eu tenho é substituir um presidente em caso de impedimento.”
Referindo-se diretamente ao venezuelano Hugo Chávez, disse respeitar a opinião do colega, mas afirmou que suas declarações “não ajudam em nada as relações” entre os dois países.
Questionado sobre uma suposta tentativa do Partido Liberal Radical Autêntico, que votou contra Lugo, de usar o cargo para chegar à Presidência nas eleições de abril de 2013, Franco reafirmou que não tentará uma candidatura após o período (a lei paraguaia não prevê a reeleição).
“Estou sendo claro com meu país. Vou terminar este mandato e entregar o poder no dia 15 de agosto de 2013 ao homem ou mulher eleito, sem me candidatar. Não vou violar o estado de direito, não vou apresentar nenhuma candidatura para nenhum cargo legislativo ou para o governo.”
O caminho para o processo de impeachment ficou aberto depois que o Partido Liberal Radical Autêntico, do vice-presidente, retirou seu apoio à frágil coalizão do presidente socialista.
Fernando Lugo deixou o Palácio López, a residência oficial da Presidência, ainda na noite de sexta, em direção a sua casa no bairro de Lambaré, em Assunção onde, segundo o diário "ABC Color", foi recebido por vizinhos que lhe deram boas vindas ao bairro.
Um dos países a rejeitar a destituição do ex-presidente, a Costa Rica ofereceu asilo político a Lugo ou algum membro de sua equipe, segundo comunicado divulgado pelo chanceler do país, Enrique Castillo.
Assessores do agora ex-presidente, no entanto, não confirmavam se ele permanecerá no país ou se falará à imprensa após deixar a residência oficial da Presidência.
O reconhecimento ou não do governo de Franco por seus vizinhos e demais países dependerá, quase que exclusivamente, da reação popular ao novo governo. Havendo fortes manifestações a favor de Lugo será difícil para Franco conseguir a aceitação por organismos multilaterais como a OEA. Mas, ao que tudo indica Lugo cavou seu próprio abismo. Com um governo marcado pela incompetência e por seguidos escândalos envolvendo a paternidade de diversos filhos com várias mulheres diferentes, o ex-bispo e agora ex-presidente jamais teve maioria nas casas legislativas e foi incapaz de manter-se no poder. Ao fim e ao cabo, parece que pouca gente chorará por Lugo.