E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Homenagem mais que merecida: Mestre Isoca, em seu centenário, ganhará registro em CD

O compositor e maestro santareno Wilson Fonseca (Mestre Isoca), se ainda estivesse vivo, celebraria em 2012 seu centenário de nascimento. Para marcar a data, a Secretaria de Cultura do Pará (Secult) promove duas apresentações da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP), sendo a primeira hoje, às 20h, no Theatro da Paz, em Belém e a segunda dia 30, às 20h30, na igreja do Santíssimo, em Santarém, pelo projeto de interiorização da secretaria, com repertório dedicado a obras do compositor. As apresentações têm entrada franca.Nos dois concertos, a OSTP será acompanhada pelo Coro Carlos Gomes. No programa estão as peças “Centenário de Santarém”, abertura sinfônica (1948); a missa “Mater Immaculata” (1951), que é dividida em Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Benedictus e Agnus Dei; o poema sinfônico “América 500 Anos” (1992), encerrando com uma das mais populares criações do mestre santareno, “Canção de Minha Saudade” (de 1949), que tem letra de Wilmar Fonseca e arranjo para orquestra de José Agostinho Jr., neto do compositor e maestro assistente da OSTP, que regerá os dois concertos. O Coro Carlos Gomes tem participação especial nas peças “Mater Immaculata”, “América 500 Anos” e “Canção de Minha Saudade”.
A Secult também homenageia Wilson Fonseca como o patrono da XVI Feira Pan-Amazônica do Livro, que será realizada em setembro deste ano, no Hangar.
A apresentação no Theatro da Paz ganhará registro em CD pelo selo “Uirapuru”, da Secult, que já lançou 38 CD’s, sendo o primeiro volume dedicado a Mestre Isoca, que inclusive tocou em algumas faixas do disco. “O centenário do maestro está recebendo muitas homenagens da Secult, mas o registro em CD ficará marcado como a parte material dessas celebrações”, disse Gilberto Chaves, diretor artístico do Theatro da Paz. “Para o disco, escolhemos a missa ‘Mater Immaculata’, que era a favorita de Isoca, e também peças sinfônicas, para que a obra dele ficasse registrada de uma forma grandiosa”, completou Chaves.
Wilson Fonseca nasceu em novembro de 1912, em Santarém, e faleceu em março de 2002, em Belém. Deixou uma obra de mais de mil composições, diversificadas em peças sacras, clássicas, populares e folclóricas. Toda a obra do compositor foi catalogada por ele, enquanto vivia. Fonseca já teve sua obra registrada em CD’s como “Projeto Uirapuru - O Canto da Amazônia - vol. 1”; “A Música e o Pará” (Duo Pianístico da UFPA); “Projeto Pará Instrumental - vol. 3” (Amazônia Jazz Band); “Encontro com Maestro Isoca” (2ª Bienal Internacional de Música de Belém, PMB, 2002); “Sinfonia Amazônica” (vol. 1 e 2), estes últimos gravados pela Orquestra Jovem Wilson Fonseca, de Santarém.
A extensa e eclética obra de Mestre Isoca está reunida em 20 volumes, com mais de 1.600 produções: canto, piano, banda, conjuntos de câmara, sacras e orquestrais, além de arranjos e transcrições.
O maestro José Agostinho Jr. já regeu obras de seu avô, Mestre Isoca, em outras oportunidades, mas é a primeira vez que vai reger a OSTP em um concerto completo, marcando assim a sua estreia à frente da orquestra. Ele explica que Mestre Isoca compôs obras mais voltadas para as muitas bandas que existiam em Santarém, anos atrás, mas também compôs para orquestras e esse repertório será executado nos concertos. “As peças para orquestra são mais trabalhosas e densas. Procuramos escolher um repertório para os concertos que fosse representativo do trabalho de Mestre Isoca”, disse. (Diário do Pará)