E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

domingo, 24 de junho de 2012

Diagnóstico tardio e exames precários dificultam cura do câncer de colo de útero

A estatística é perversa, mas este ano 17,5 mil mulheres serão diagnosticadas com câncer de colo do útero, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença é curável em praticamente 100% dos casos, se descobertos precocemente. Ainda assim, 4.986 pessoas morreram em decorrência da doença em 2010 — última estatística disponível. Os números corroboram a tese de que o país ainda esbarra em obstáculos na hora de detectar a doença. Especialistas apontam a origem do problema tanto nos exames quanto nos procedimentos adotados.
O papanicolau, teste mais comum e indicado, por exemplo, segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), chega a apresentar falsos negativos em até 70% dos exames. Depois de uma auditoria em 1,4 mil laboratórios do país que leem esse tipo de análise, o Ministério da Saúde planeja lançar para o próximo ano o Programa de Qualidade para laboratório de citologia.
O presidente da Febrasgo e da Comissão Nacional Especializada em Oncologia Genital, Etelvino Trindade, explica que, além de o exame não ser popularizado, os laboratórios não estão completamente capacitados, em parte porque não existe um programa capaz de avaliar a situação no Brasil. “Sabemos que o sistema não está bom quando comparamos com a literatura estrangeira. Não temos material nem para dizer quantos (laboratórios) são bons ou não. Vemos que a nossa qualidade não é boa, embora existam alguns excelentes. 
Todos deveriam ter uma estrutura que fizesse avaliações internas constantes, com mais de um médico lendo uma amostragem para ver se os resultados são os mesmos. Isso garantiria mais qualidade e credibilidade.”
Através do SUS as consultas para especialistas costumam demorar mais de 90 dias. Cidades como Goiânia, Teresina e Brasília oferecem as consultas com prazos mais curtos (entre 15 e 30 dias de espera) e equipes médicas especializadas no atendimento e acompanhamento médico e psicológico às pacientes. Mas, essas cidades são exceções à regra. Em geral, nem o "segundo diagnóstico", procedimento recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), não acontece. E assim, a cada ano cresce o número de óbitos tendo por causa uma doença que, mesmo não podendo ser evitada, pode ser curada.