E como os brados no Mundo podem tanto, bem é que
bradem alguma vez os pregadores, bem é que gritem
Pe. Antonio Vieira

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Cinco pontos com Mário Couto, o nosso Catão Marajoara


Vejam o que nos diz a Agência Senado, hoje (26). Leiam com atenção. Comento logo a seguir:
O senador Mário Couto (PSDB-PA) afirmou, nesta quinta-feira (26), que a corrupção atualmente é encarada como corriqueira no país. Para ele, está na hora de os brasileiros promoverem “uma faxina de verdade” contra a corrupção, os corruptos e os corruptores.
– A corrupção no Brasil, hoje, é aceita com a maior simplicidade – disse.

Para Mário Couto, a corrupção atrapalha o desenvolvimento do país, em diversos setores. Segundo ele, R$ 80 bilhões são perdidos todos os anos devido à corrupção.
Como exemplo, o senador lembrou ter denunciado durante anos irregularidades no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). De acordo com Mário Couto, “foram trilhões de corrupção” desviados do órgão.
– As estradas da minha terra, todas as BRs da minha terra, todas estão esburacadas, e o Dnit embolsando o dinheiro das estradas que deveriam ser feitas para o povo da minha terra e do meu querido país – afirmou.
O parlamentar também assinalou que recentes pesquisas mostraram que 65% dos brasileiros desaprovam o sistema de impostos do país, 61% condenam a qualidade da segurança pública, 65% reclamam dos serviços de saúde e 48% apontam a má qualidade da educação pública.
– Nós temos ordem neste Brasil hoje? Não. A pátria está corrompida. Nós temos progresso nesse país hoje? Não. Nós não temos educação, nós não temos segurança, nós não temos saúde. O país está parado.
Eis-me aqui:
1 - Couto está certo se por "atualmente" ele tem em mente os últimos 512 anos! Querendo ajudar no combate à corrupção, Couto poderia começar desencavando alguns dos 139 projetos que dormem nos escaninhos do Congresso Nacional. Mas, das palavras às ações a distancia é enorme.
2 - Uma "faxina de verdade", com certeza deixaria de fora a quase totalidade dos políticos brasileiros, tucanos no meio, talvez até mesmo aqueles que arrotam moralidade em público, depois de haver ingerido lautas propinas privadamente (Demóstenes não me deixa mentir).
3 - Basta uma rápida retrospectiva para vermos que "durante anos" é o PMDB (partido do qual Couto é egresso), o "donatário" do setor de Transportes da União (desde a época do finado DNER, lembram dele?). Donde podemos concluir que seria fácil rastrear o caminho desses "trilhões" que este nosso Catão do Marajó diz terem sido surrupiados.
4 - Interessante que Couto lembrou apenas das BRs. E as PAs, senador? Caso Couto não tenha sido informado, foi em uma delas (a Alça Viária) que aconteceu anteontem um enorme desastre. As obras do governo Jatene, que seguem inconclusas, a precariedade da fiscalização e da sinalização na via, além da imprudência do motorista, conjuraram-se para matar 9 pessoas. As Pas 155, 275 e todas as demais estão devidamente abandonadas pelo atual governo tucano. Uma pena que Couto não tenha "lembrado" deste detalhe.
5 - O resto é senso comum. Ouve-se o mesmo em qualquer mesa de bar. O Catão de Soure já foi melhor.
Nota: A alcunha de Catão não foi dada a Couto por mim, claro. Apenas achei-a tão apropriada que não resisti à tentação de adicionar a ela a expressão "do Marajó", região paraense na qual Couto mantém seus currais eleitorais. Couto é um dos investigados nos escândalos da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) que consumiram "milhões de reais" do "povo" da "minha querida terra". Couto apoia o também tucano Simão Jatene, atual governador do Pará.